Camila Pitanga: “Vivo plenamente a minha liberdade”
A nova rainha do Baile do Copa fala sobre o amor pelo Carnaval, casamento, carreira em expansão e do prazer de viver o Rio sem hierarquias
Foi amor à primeira vista: aos 9 anos, em um desfile da Vila Isabel, Camila Pitanga se rendeu aos encantos do Carnaval por influência do pai, o ator Antônio Pitanga. A atriz de 48 anos, que acumula mais de setenta papéis na TV, no teatro e no cinema, sempre transitou entre a Marquês de Sapucaí e as ruas, onde frequenta blocos lotadíssimos — bem no estilo “gente como a gente”.
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Em 2026, ela estreia uma nova faceta na folia, como rainha do Baile do Copa. Na edição de sábado (14), o tema é brasilidade, e a proposta é que os convidados saiam dos estereótipos e foquem em composições que celebrem a pluralidade do país. Para Camila, os preparativos são pura diversão. Bem como os que antecedem o casamento com o professor e dramaturgo Patrick Pessoa, 48, com quem se relaciona desde 2021.
Em entrevista para VEJA RIO, a caminho do Aeroporto Santos Dumont, ela contou como foi o pedido, falou sobre o fenômeno Lola, da novela Beleza Fatal, e repercutiu os rumores de um possível Globo de Ouro em seu futuro.
O Carnaval te conquistou logo na infância? Lembro da epifania que foi pisar pela primeira vez na Avenida, em um desfile da Vila Isabel — que é minha agremiação do coração junto com a Mangueira. Eu tinha 9 anos e fiquei fascinada pelo abre-alas, formado por mulheres grávidas. Logo depois, saí na Mangueira do Amanhã, escola de samba mirim, e ali entendi o nível de comprometimento. Tudo é muito feliz, mas a entrega deve ser soberana.
O que pensa sobre as mudanças recentes nos desfiles da Sapucaí? Não acompanho. Sou diletante, não faço uma elaboração crítica.
Você esteve no bloco Loló de Ouro há algumas semanas. Consegue transitar facilmente nos eventos de rua? Existe ali uma cultura que transcende as diferenças. Está todo mundo no chão, há uma horizontalidade. É algo que gosto de fomentar na minha vida. Não seria eu se não pudesse transitar entre os tipos de folia. Gosto de ir aos cortejos organizados por amigos e fico na corda sem pudores, coladinha nos músicos.
Como será esse mergulho na brasilidade promovido pelo baile? Carnaval é brasilidade, em todos os cantos do país, nas mais variadas manifestações — seja em desfiles oficiais ou nos blocos que nascem nas ruas. É um caldo que mistura diferentes sotaques. Sou foliona de verdade e já passei por todas as instâncias, sem nunca me esgotar. Estou honrada em viver esse lado mais glamouroso, em um lugar onde vivi noites memoráveis.
Lola, de Beleza Fatal, foi apontada como a vilã do século. Ainda te abordam na rua por conta dela? Até hoje recebo vários memes. O legal do streaming é que ele perdura, não fica preso no momento em que os episódios são lançados. A participação em Dona de Mim também rendeu discussões engraçadas. O digital acabou trazendo uma relação nova com os fãs e, claro, deu mais liberdade na escolha dos trabalhos. Estou vivendo uma fase de muitas possibilidades, como nunca antes, e conseguindo manter minha porta aberta na Globo.
Tem vontade de explorar outras funções, como a direção? Estou me envolvendo mais como produtora executiva, experiência que já vivo no teatro. As pessoas estão entendendo que o ator também é um coautor, alguém que pode pensar artisticamente nos processos. Atualmente tenho dois projetos, cada um para uma plataforma, só esperando o sinal verde.
Como está a expectativa para o casamento? Como é minha primeira vez, imagino que vá sentir aquele frio na espinha. Já fiquei emocionada com o pedido, que foi totalmente inesperado, em uma viagem como embaixadora da ONU para Cabo Verde. Foi à noite, durante uma conversa muito profunda, e tive certeza na hora. Isso porque eu vivia dizendo que nunca ia casar…
O que te fez mudar de ideia? Somos um casal maduro e temos bagagem. Os dois amaram e foram amados por pessoas muito importantes. Por isso, o tempo do nosso encontro foi essencial. Na minha cabeça, casamento era um investimento financeiro que não queria assumir — e agora estou aqui, no maior entusiasmo, costurando a cerimônia mais rítmica e sensual do mundo. Será íntima e não pretendemos revelar nenhum detalhe.
Sobre as relações anteriores, foi difícil assumir a bissexualidade? Não, o amor aflorou naturalmente. Não foi uma escolha ou algo programado. Também não senti nenhum tipo de resistência. Se existiu, foi apenas na cabeça dos outros, e não me pauto em cima disso. Vivo plenamente a minha liberdade.
Pensa em ter mais filhos? Não, de jeito nenhum. E esse “não” é categórico (risos). O Patrick já tem dois filhos; eu tenho duas meninas. Não começaria tudo de novo. Essa etapa está bem pavimentada.
Como tem tratado tantos episódios de feminicídio e assédio com as suas filhas? Dói ver essas notícias devastadoras e é algo que precisamos considerar nas próximas eleições. Temos que fazer uma bancada de mulheres plurais no Congresso. Precisamos de figuras femininas com a caneta na mão em todas as instâncias.
Qual a importância do filme Malês, que estreou no fim do ano passado, nas suas lutas? Além da felicidade em ver meu pai (Antônio Pitanga está no elenco e também é diretor) concretizar um sonho de vinte anos, em pleno vigor artístico, o longa sobre o maior levante organizado por escravizados do Brasil tem uma importância enorme para a comunidade. Estamos recontando a história pelo nosso ponto de vista. Muitos convites chegaram de escolas e universidades, nacionais e internacionais, pois entenderam que, ao rever o passado, estamos tratando do presente. É a nossa contribuição para um país menos racista.
O que achou da declaração do seu pai no Roda Vida, sobre a diretora Manoela Dias de ser negra? Ele falou isso em um caráter metafórico de quem é baiano e se identifica com a irmandade que eles criaram no projeto.
Viu a teoria de que você, como parte do elenco de Saneamento Básico junto com Fernanda Torres e Wagner Moura, será a próxima a vencer o Globo de Ouro? Estou tão feliz com essas premiações para o Brasil. Já acendi as velas para o Oscar do Wagner. Sobre mim, ainda não tenho filme para isso, mas ele pode existir em breve… Oxalá às deusas! Eu não duvido nada das profecias brasileiras.







