Carioca Nota 10: Marco Aurélio de Sá Ribeiro
A bordo do projeto Velejando para o Futuro, que já atendeu a mais de 500 crianças, ele quer mostrar que o mar é para todos

Faz mais de uma década que Marco Aurélio de Sá Ribeiro busca democratizar o acesso a um esporte que ganhou o estigma de elitista. Presidente da Confederação Brasileira de Vela desde a fundação, em 2012, até 2024 ele cuidou da gestão da modalidade que mais rendeu medalhas ao Brasil em Jogos Olímpicos e sempre pleiteou a criação de um projeto que aproximasse as pessoas do universo náutico. O sonho foi realizado em agosto do ano passado com o início da primeira turma do Velejando para o Futuro, que já atendeu a mais de 500 crianças, entre 6 e 18 anos, na Marina da Glória. “Muita gente tem vontade de velejar, mas nem sempre tem a oportunidade”, acredita ele, hoje no cargo de diretor-secretário da instituição. Em aulas semanais gratuitas, os participantes desenvolvem habilidades como disciplina, trabalho em equipe e respeito ao meio ambiente. Além das aulas práticas e teóricas, supervisionadas por treinadores da CBVela, também é oferecido suporte psicológico. “Nosso objetivo é mostrar que o mar é para todos e, com isso, despertar um senso de cidadania e pertencimento em pessoas que muitas vezes sequer sabem nadar”, explica.
“Queremos transcender a prática esportiva e reforçar a inclusão social, criando uma nova geração de velejadores”
As novas turmas regulares começaram no início de março, depois de uma temporada de verão animada. “O curso de férias foi um sucesso, estamos conseguindo atender à lista de espera do ano passado e vamos triplicar o número de alunos em 2025”, adianta Marco Aurélio, com a intenção de levar o programa para outros espaços, como a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Piscinão de Ramos. O projeto funciona através da Lei de Incentivo ao Esporte e tem a Shell como patrocinadora, com contrato renovado até o final de 2026. “Isso deixa um legado muito forte, ainda mais com a nossa capacidade de atender a um grande número de pessoas”, segue o dirigente. Ainda estão previstas para este ano turmas para adultos — em sua maioria, responsáveis que se apaixonaram pela iniciativa — e campeonatos para ex-alunos. As inscrições podem ser feitas pelo site oficial do projeto ou de forma presencial na sede, na própria Marina. “Queremos transcender a prática esportiva e reforçar a inclusão social, criando uma nova geração de velejadores”, conclui Marco Aurélio, na certeza de quem cruza bons ventos.