Avatar do usuário logado
Usuário
OLÁ, Usuário
Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br

De olho na geração Z, Globo escala ídolos do rap para novelas

Com bilhões de plays nas plataformas digitais e milhões de seguidores nas redes, nomes como Xamã, Cabelinho e L7nnon vêm fazendo sucesso em tramas da emissora

Por Kamille Viola
15 ago 2025, 06h00
xamã-Matheus-Nachtergaele
Xamã: cantor viveu o ex-jagunço Damião no remake de Renascer, em que contracenou com Matheus Nachtergaele (Estevam Avellar/TV Globo)
Continua após publicidade

Em Dona de Mim, na faixa das 7 da Globo, L7nnon faz o papel de Ryan, um ex-rapper que enveredou pelo crime e, ao sair da prisão, tenta reconstruir a vida. O carioca fez até uma canção inspirada na trama, Segunda Chance. Antes disso, em 2024, outro astro do rap, Xamã, ganhou elogios no papel do ex-jagunço Damião, no remake de Renascer. No ano anterior, Cabelinho chamou a atenção em Vai na Fé. Em comum, o fato de que os três são cantores que fazem muito sucesso entre o público jovem, com shows esgotados, alcançando bilhões de plays nas plataformas digitais e milhões de seguidores nas redes sociais.

Essa tendência recobrou força nos últimos tempos, assim como a presença de letras e melodias muito além da trilha sonora — o próximo folhetim das 7, Coração Acelerado, será focado no universo da música sertaneja. “A televisão brasileira sempre buscou novidades para seduzir o espectador. Hoje, com a comunicação pulverizada e a audiência diluída, isso é ainda mais importante” analisa Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia pela Universidade de São Paulo (USP).

+ Vale Tudo: como será a cena da primeira reunião de Heleninha no A.A.

cabelinho
Cabelinho: atuação do rapper como Hugo em Vai na Fé é elogiada pela autora da novela, Rosane Svartman (Manoella Mello/TV Globo)

Cantores atuando em novelas não são uma novidade. Mauro Alencar cita Agnaldo Rayol (1938–2024), protagonista de O Caminho das Estrelas (1965), na extinta TV Excelsior, como um dos pioneiros desse movimento. Outro exemplo notório é Fábio Jr., que esteve em produções como Água Viva (1980) — cuja trilha contava com o hit 20 e Poucos Anos — e Pedra Sobre Pedra (1992), na qual fez muito sucesso como o fotógrafo conquistador Jorge Tadeu, entre outras.

Continua após a publicidade

“É natural que uma plataforma de mídia se apoie em outra para atrair um público diferente. Isso aconteceu até em Hollywood, nos anos 1950, quando Elvis Presley se tornou astro das telonas”, lembra o coordenador do curso de cinema e audiovisual da ESPM, Pedro Curi. Já na virada para os anos 2000, quando a internet comercial ganhou força, a televisão apostou em seriados que contavam com um lugar, como uma casa de shows, por exemplo, onde aconteciam números musicais, observa Curi, citando produções americanas como Buffy, a Caça-Vampiros (1997) e Charmed (1998).

Compartilhe essa matéria via:
l7nnon
L7nnon: ídolo do trap vive Ryan na atual trama das 7 da Globo, Dona de Mim (Manoella Mello/TV Globo)
Continua após a publicidade

A música sempre teve grande importância nos folhetins da Globo, especialmente por causa da gravadora Som Livre, braço fonográfico da emissora. Fundada em 1969 pelo produtor musical João Araújo (1935–2013), pai de Cazuza (1958-1990), ela surgiu para criar e vender as trilhas sonoras das novelas. Muitos artistas gravaram músicas especialmente para aberturas de tramas da Vênus Platinada.

Autora de Vai na Fé e Dona de Mim, Rosane Svartman é conhecida por criar histórias que dão relevância à música — a atual, por exemplo, tem um núcleo formado por jovens em busca de oportunidade no estrelato — e garante que, no fim das contas, o que importa é o desempenho de quem está se candidatando a um papel. “Ao assistir a um teste de elenco estou procurando artistas talentosos, mas tento achar alguma coisa dos personagens ali. E, mais do que isso, intérpretes que vão me ajudar a construir essas figuras”, explica ela, que rende elogios aos rappers que enveredaram pela atuação. “Quando vi o teste do Cabelinho, fiquei muito impressionada. E o do L7nnon também. Os dois são multitalentosos”.

+ Com recorde de público, Encontro VEJA Rio aquece a noite fria em Ipanema

Continua após a publicidade
Rosane-Svartman
Rosane Svartman: autora elogia rappers que atuaram em novelas escritas por ela (João Miguel Junior/TV Globo)

A atual configuração da internet, com seus feeds intermináveis, define a era da economia da atenção, expressão cunhada em 1971 pelo psicólogo e vencedor do Prêmio Nobel Herbert A. Simon. A psicóloga e professora da Universidade da Califórnia Irvine Gloria Mark explica no livro Attention Span (“Capacidade de Atenção”, em tradução livre), de 2023, que o tempo médio de foco para indivíduos olhando para uma única tela caiu de 2,5 minutos em 2004 para uma média de 47 segundos em 2021. O mercado, então, passou a apostar em conteúdos capazes de captar o espectador rapidamente, como vídeos curtos e edição rápida.

Mauro Alencar cita como exemplo da força desse tipo de formato os microdramas chineses, com episódios de 1 minuto, gravados na vertical — mesma estrutura do TikTok e do Reels do Instagram —, setor que movimenta 1 bilhão de dólares ao ano. “A cena da família reunida em frente ao televisor na sala não existe mais. As novas gerações assistem às novelas por cortes postados nas redes”, pontua Alencar. Portanto, a presença de ídolos dos jovens talvez não se reverta em audiência nos velhos moldes, mas, ainda assim, surte efeito. “Os seguidores desses cantores começam a acompanhar a TV indiretamente”, resume Curi. Como dizia o poeta, o show tem que continuar, não importa em qual tela.

Continua após a publicidade

+ Para receber VEJA Rio em casa, clique aqui

 

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Impressa + Digital no App
Impressa + Digital
Impressa + Digital no App

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

Assinando Veja você recebe mensalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de 29,90/mês