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Histórica! Laísa Lima é a primeira mestra de bateria da Sapucaí

Filha do lendário Laíla, a jovem rompe uma tradição masculina e recebe elogios dos colegas

Por Bruno Chateaubriand Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
23 jan 2026, 06h12 • Atualizado em 23 jan 2026, 12h31
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Dupla jornada: aos 26 anos, Laísa comanda duzentos ritmistas do Arranco do Engenho de Dentro e ainda é diretora da Beija-Flor  (Luan de Oliveira/Divulgação)
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  • Em 2025, quando o Arranco do Engenho de Dentro cruzou a Marquês de Sapucaí com o enredo Mães Que Alimentam o Sagrado, o público que assistia aos desfiles da Série Ouro foi impactado por uma história conduzida por mãos femininas.

    O enredo havia sido criado por Annik Salmon, única mulher entre todos os carnavalescos que competiram na Avenida no ano passado.

    Não por acaso, o Arranco se consolidou como uma agremiação na qual mulheres ocupam espaços de decisão, da presidência à criação artística.

    Esse caminho ganha um novo e decisivo capítulo no ciclo de 2026. Pela primeira vez na história da Marquês de Sapucaí, uma escola terá uma mulher no comando de uma bateria.

    Ao assumir o posto mais simbólico do ritmo, Laísa Lima inscreve seu nome no solo sagrado dos sambistas.

    Filha do lendário mestre Laíla (1943–2021), ela também é diretora de bateria da Beija-Flor, agremiação em que seu pai fez história como um dedicado diretor de Carnaval, chegando até a virar enredo.

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    “O samba me fez e me faz acontecer”, resume a jovem de 26 anos, ciente de que rompe barreiras num universo dominado por homens.

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    A trajetória de Laísa no samba começou ainda na infância. Nascida e criada em Nilópolis, numa família profundamente ligada à Beija-Flor, ela se desenvolveu entre o batuque e a disciplina de quem dá a vida e investe os sonhos na folia.

    Aos 16, já era diretora de tamborim da Azul e Branca da Baixada. A primeira grande influência veio da avó materna, figura central em sua formação afetiva e cultural.

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    Já o pai, atento às armadilhas da vaidade que cerca o Carnaval, impôs um caminho paralelo.

    “Por conhecer profundamente esse meio, ele sempre se preocupou muito e exigiu que eu estudasse”, conta ela, formada em administração e prestes a cursar uma pós-graduação em marketing.

    Laísa só ganhou liberdade para escolher o próprio destino depois de cumprir o pacto familiar. “Se eu tirasse nota baixa no colégio, meu castigo era ficar fora do samba”, relembra.

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    DNA: a mestre de bateria lembra que o pai, Laíla, não a deixava ir para o samba se ficasse em recuperação na escola (Luan de Oliveira e arquivo pessoal/Divulgação)
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    Ela passou por Vigário Geral, Paraíso do Tuiuti, Vila Isabel e Unidos da Ponte até se consolidar no Arranco, conhecendo a engrenagem de uma bateria por dentro e orquestrando cerca de duzentos ritmistas.

    O Arranco vai levar à Passarela do Samba a história de Maria Eliza Alves dos Reis, pioneira entre as palhaças negras do Brasil.

    A proposta celebra a irreverência e a representatividade no picadeiro, em diálogo com o momento da escola, em que mulheres ocupam espaços historicamente negados a elas.

    Laísa sabe que o preconceito ainda existe, mas o gesto da agremiação do Engenho de Dentro aponta para uma Avenida em transformação.

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    “A presença dela nesse posto mostra que a mulher pode estar onde ela quiser. Isso sem falar nas paradinhas sensacionais dessa bateria”, analisa Belinha Delfim, passista e musa da Unidos do Viradouro.

    Na cadência do surdo, no corte preciso da caixa e no gesto firme do comando, o Arranco anuncia não só um novo ciclo, mas um momento em que tradição e futuro caminham juntos, afinados no mesmo compasso.

    E quando a bateria responde, a própria Sapucaí reconhece: o samba também se reinventa pelas mãos e ouvidos de quem, por muito tempo, esteve à margem do poder, mas nunca fora do ritmo.

    No mesmo compasso

    As avaliações de três colegas de função

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    (instagram @riocarnava/Divulgação)

    “Laísa está no lugar em que merece estar. Parabéns ao Arranco. Que bom que estou vivo para assistir a história se desenrolar na minha frente”, Casagrande, mestre de bateria da Unidos da Tijuca, vencedor do Estandarte de Ouro e dono de notas dez de todos os jurados por treze anos

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    (Wallace Mendonca/Divulgação)

    “Para mim, é gratificante ver esse reconhecimento. Ela tem um grande mestre de vida, o pai dela, e vem fazendo um trabalho de qualidade, que abrirá muitas portas”, Macaco Branco, mestre de bateria da Vila Isabel e vencedor do Estandarte de Ouro

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    (viradouro/Divulgação)

    “Fico imensamente feliz com a conquista dela e estarei na Avenida aplaudindo essa bateria histórica e o enredo que transforma alegria em potência no Carnaval”, Mestre Ciça, que além de mestre de bateria da Viradouro inspira o enredo da agremiação de Niterói

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