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Luto: Morre Jane Di Castro, atriz, transformista e cantora

Uma das estrelas do documentário Divinas Divas, ela está no ar na novela A Força do Querer e era uma personalidade atuante pela causa LGBTI+ na cidade

Por Cleo Guimarães
23 out 2020, 14h37 •
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Jane Di Castro: internada no Hospital de Ipanema, ela não resistiu ao tratamento contra o câncer (Daniel Marques/Divulgação)
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  • Morreu na madrugada desta sexta (23), no Hospital de Ipanema, Jane Di Castro – a artista que, junto com a amiga Rogéria (1943-2017), abriu caminho para a representatividade trans e travesti na cultura brasileira. Uma das estrelas do premiado documentário Divinas Divas, de Leandra Leal, Jane, 73 anos, não resistiu a um câncer agressivo, que a tirou de sua amada Copacabana e a levou a ficar internada por alguns meses.

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    A atriz está no ar atualmente na reprise da novela A Força do Querer, de Glória Perez, na qual interpreta ela mesma e é idolatrada por Nonato, o personagem de Silvero Pereira. Carioca de Oswaldo Cruz, Jane foi perseguida durante a ditadura por fazer shows considerados “inadequados” nos teatros da Praça Tiradentes e, em 1981, atuou na peça Gay Fantasy, dirigida por Bibi Ferreira, com direção de arte de Joãosinho Trinta. O espetáculo é considerado um divisor de águas no teatro brasileiro.

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    Síndica do prédio onde morava, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, por 12 anos ininterruptos, a atriz costumava dizer que suas sucessivas reeleições no condomínio – quase sempre por unanimidade entre os moradores – eram a prova de que “travesti não é bagunça”. Multitalentosa, Jane manteve por anos um salão de cabeleireiros no mesmo bairro, e era considerada “a voz oficial” do Hino Nacional da Parada Gay, também em Copacabana.

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    “Estou arrasado”, diz Ney Latorraca, parceiro de palco em Gay Fantasy, e diretor da versão mais recente de Passando Batom, estrelado pela atriz, um personagem dos mais queridos e conhecidos da cidade. “Perdemos uma pessoa muito importante para a nossa cultura. Uma mulher seríssima, muito respeitada e querida. Uma síndica genial, com uma voz linda. Jane era outro nível, em todos os sentidos”.

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