“Morrer de amor”: leia a primeira crônica de Manoel Carlos para VEJA Rio
Autor das novelas que fizeram do Rio um espelho do Brasil, Manoel Carlos brindou os leitores de VEJA RIO com suas crônicas por mais de uma década
A vida cotidiana – com seus afetos, silêncios e escolhas – era o território de Manoel Carlos.
Autor que transformou conversas à mesa, caminhadas pelo Leblon e dilemas familiares em grandes histórias, o dramaturgo morreu no último sábado (10), aos 92 anos.
Internado no hospital Copa Star, em Copacabana, Maneco convivia com a doença de Parkinson.
Nascido em São Paulo, mas carioca por vocação, olhar e paixão, foi um dos mais importantes nomes da teledramaturgia brasileira e ajudou a apresentar o Rio de Janeiro ao Brasil, fazendo da vida comum matéria-prima nobre e espelho de conflitos, afetos e escolhas que atravessaram décadas e gerações.
Autor de sucessos que marcaram época na TV Globo, como Baila Comigo (1981), Felicidade (1991), História de Amor (1995), Por Amor (1997), Laços de Família (2000), Mulheres Apaixonadas (2003) e Páginas da Vida (2006), Manoel Carlos construiu uma obra profundamente autoral.
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Suas histórias, quase sempre ambientadas no Rio, tinham como eixo central as relações humanas.
“Minhas novelas são sobre a família. Se há algo que marcou minha vida foram as refeições com todos os parentes reunidos. É quando afloram os problemas e as felicidades”, disse em entrevista a VEJA, em janeiro de 2016.
Em Viver a Vida (2009), Maneco promoveu um marco ao escalar Taís Araújo como a primeira protagonista negra de uma novela das nove da Globo, fazendo dela a primeira Helena negra da teledramaturgia brasileira.
A atriz usou as redes sociais para lamentar sua morte e agradecer a parceria que marcou sua trajetória.
“Obrigada por ter acreditado em mim e por ter me transformado. E, principalmente, obrigada por fazer o Brasil sonhar e ser mais bonito”, escreveu Taís em seu Instagram.
Ao final, ressaltou a dimensão cultural da obra do autor: “Seu legado na teledramaturgia jamais será esquecido por todos nós”.
Fora da televisão, Manoel Carlos também exerceu um papel relevante no jornalismo como cronista.
Entre maio de 2004 e setembro de 2018, foi colunista de VEJA RIO, espaço em que lançou um olhar afiado e afetivo sobre a cidade, costurando memórias pessoais, cenas do cotidiano e reflexões sobre comportamento (leia seu primeiro texto ao lado).
Era um Maneco mais íntimo ó observador do tempo e das transformações do Rio, sempre elegante e preciso.
Ele deixa duas filhas, Maria Carolina, também autora de novelas, e Júlia Almeida, atriz. Outros três filhos, o dramaturgo e ator Ricardo de Almeida, o diretor Manoel Carlos Júnior e o estudante de teatro Pedro Almeida são falecidos.





