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Thalita Rebouças: “Estou me permitindo mais”

Autora de best-sellers infantojuvenis, a escritora encara pela primeira vez o desafio de atuar com a adaptação musical de Fala Sério, Mãe, em cartaz no Roxy

Por Renata Magalhães
9 jan 2026, 09h00 •
ThaliTa Rebouças
 (Edu Rodrigues/Divulgação)
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  • Quando Thalita Rebouças escreveu Fala Sério, Mãe, no início dos anos 2000, logo ouviu da Editora Rocco que aquela não era uma obra para adolescentes. A relação de Maria de Lourdes com a mãe Ângela Cristina conquistou diferentes gerações e se tornou um best-seller, iniciando uma série de sucesso que deu origem ao filme homônimo, estrelado por Larissa Manoela e Ingrid Guimarães em 2017.

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    A trama agora ganha os palcos, em um musical dirigido por Abel Gomes no Roxy. Com o subtítulo Elas Só Mudam de Endereço, a história é apresentada com linguagem interdisciplinar em meio a um almoço para reunir toda a família. Em cena, a própria escritora dá vida à matriarca, na sua estreia oficial como atriz.

    Dona de um vasto currículo que reúne mais de trinta livros, diversas adaptações cinematográficas e uma paixão que ficou de herança dos Millennials para a geração Z, a multiartista carioca diz estar se divertindo como nunca. No intervalo de um ensaio no icônico endereço de Copacabana que já abrigou um cinema, ela conversou com VEJA RIO sobre o novo espetáculo e os projetos para 2026, quando lança uma série na Globoplay sobre maturidade. 

    Por que decidiu atuar agora? Faço participação em todos os filmes baseados nas minhas obras porque sou exibida, mas não me considero atriz. Cantar, só no chuveiro. Então, quando me convidaram, a resposta imediata foi não. Só que, no ano passado, lancei Felicidade Inegociável e Outras Rimas, que fala justamente sobre nunca ser tarde para sair da zona de conforto. Decidi seguir o meu próprio conselho.

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     Como foi a preparação? Estou fazendo fono e terapia corporal para ter mais consciência da presença no palco, mas as cenas estão dentro de mim. Criei coisas novas junto com o Gustavo Reis, que também assina o roteiro, mas o que vem do livro é intrínseco. A diretora Priscila Morra me chama de “autriz” (risos). Estou vivendo um sonho que eu nem sabia que tinha.

     De que forma funciona a linguagem interdisciplinar? Temos um telão com 110 metros de LED, que é um personagem com o qual vamos interagir. Ninguém viu o que vamos fazer: é musical, reunião familiar, almoço… minhas amigas com filhos sempre reclamam da qualidade das peças infantojuvenis, e tenho certeza de que vamos agradar mães, pais e avós. 

    Quais lembranças tem do Roxy?  Toda vez que piso aqui me dá vontade de chorar. … lindo estrear essa dramaturgia em um lugar que eu frequentava. Morei em Copacabana até os 14 anos e vinha a pé para cá dar os meus primeiros beijinhos, ainda escondida. Frequentava também com o meu avô, que era grande companheiro nas plateias de cinema. 

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    Como a história se mantém atual depois de tantos anos? A essência entre mãe e filha não muda. Elas sempre vão ter conflitos e, dois minutos depois, estarão se amando. Por isso, “elas só mudam de endereço”. Quis dar esse título, pois o que mais escuto é que parece que escrevi olhando pela fechadura seja em Manaus, na Bahia, no Sul ou em Tocantins. 

    Quando você descobriu a vocação para o público infantojuvenil?  Logo que lancei meu primeiro livro, Traição Entre Amigas. Escrevi sobre aborto, homossexualidade e coisas que até hoje as pessoas baixam o tom de voz para falar. Curiosamente, quem gostou foi a galera de 9 a 13 anos, que me agradecia por entendê-los tão bem. Eles são intensos, despidos das máscaras que os adultos têm para a sociedade, e eu soube na hora que queria continuar criando para eles. 

    Consegue se relacionar bem com a geração Z? Tenho uma adolescente dentro de mim que não me larga, então os jovens veem que eu falo sem julgamentos. Continuo os entendendo porque sempre inventei minhas gírias também. Inclusive, tem uma cena no espetáculo em que ajudo os pais a decifrarem a linguagem do WhatsApp. O carinho segue o mesmo desde que comecei. 

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    Como é possível formar leitores na era das redes sociais? Sempre encontro pessoas que passaram a gostar de ler comigo, principalmente com o Fala Sério, Mãe. Também credito aos filmes o interesse das novas gerações assim como a peça terá essa função. Minha dica é buscar o que você gosta, independentemente do que for: autoajuda, poesia ou livros sobre cachorrinhos. 

    Você optou por não ser mãe. Está experimentando um gostinho da maternidade no palco? Todo o elenco me chama de mãe, e sei que ajudei a criar um monte de filhos por aí. Eu me emociono muito com os atores, nunca vi tanta gente boa junta. Não sei se é um gostinho da maternidade, mas com certeza um orgulho que só uma mãe sente.

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     O que a Thalita leitora adolescente reconheceria ou estranharia na mulher de hoje? A Thalitinha que em algum momento pensou em ser atriz, mas entendeu que não tinha essa vocação deve estar de boca aberta. Imagine só cantar e atuar aos 51 anos, depois de ter passado poucas e boas para ser reconhecida como escritora. Quando tinha 25 aninhos e era invisível, subi numa cadeira em plena Bienal e comecei a fazer minha propaganda, dizendo que era melhor pegar logo um autógrafo antes que eu ficasse famosa. 

    Sente que escreve com mais liberdade ou ainda mais responsabilidade? Tenho trazido cada vez mais diversidade ao trabalhar temas como homofobia, preconceito, transtornos alimentares e suicídio. Estou me permitindo mais, algo que veio com a idade. Fico entusiasmada em continuar fazendo companhia para os adolescentes, especialmente nos dias de hoje, quando se fala sobre tanta coisa muitas vezes sem qualquer filtro.

    Você vai lançar uma série sobre maturidade. Como está vivendo essa fase? Juntas e Separadas sai em março e fala sobre a vida pós-separação e os desafios que vêm a reboque. Tinha 40 anos quando encerrei um casamento longo e consegui superar graças a muitas mulheres que estavam na mesma situação. Foi uma rede de apoio essencial, e a série é inspirada nelas. Falamos sobre pentelhos brancos, ressecamento vaginal e outros assuntos supostamente tabus para mostrar que ninguém precisa passar por isso sozinho. Afinal, a alternativa para não envelhecer é morrer, então prefiro ver o copo cheio e viver cheia de saúde. 

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