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Climate Action Week e o protagonismo carioca na pauta ambiental

Três meses antes da COP30, a cidade segue sua vocação de sediar grandes eventos ambientais e antecipa os debates

Por Pedro Coutinho
22 ago 2025, 08h08 •
Conexão LondresRio: ao mobilizar especialistas, empresas e pessoas comuns, a Semana do Clima traz a emergência climática para o debate cotidiano. (Callum Baker/Divulgação)
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  • A seleção masculina de vôlei conquistou a primeira medalha de ouro olímpica para o Brasil num esporte coletivo, o ex-presidente Fernando Collor de Mello encarou o impeachment e o Xou da Xuxa chegou à derradeira temporada. O ano de 1992 trouxe momentos inesquecíveis para o país, mas um deles ultrapassou fronteiras como nenhum outro: a Rio-92. Foi durante o evento realizado na capital fluminense que as principais nações reconheceram a necessidade de conter o aquecimento global. “Desde então, o Rio mantém protagonismo mundial ao redor da pauta ambiental”, explica a secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula.

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    Não é surpresa que esse legado seja um tema central na Climate Action Week, evento que acontece anualmente em Londres desde 2019 e se estabelece em solo carioca de 23 a 29 de agosto. “Globalmente, o Rio é visto como parte da vanguarda da ação climática urbana, então não haveria outro lugar para promover a primeira versão do evento na América Latina”, revela Malini Mehra, embaixadora da London Climate Action Week. Pontos espalhados por toda a cidade do Museu do Amanhã ao Jardim Botânico serão palco de debates envolvendo os setores público e privado. A ideia é promover uma plataforma independente e não-partidária de diálogos sobre o futuro próximo.

    Localização privilegiada: o Museu do Amanhã vai receber parte da programação do evento
    Localização privilegiada: o Museu do Amanhã vai receber parte da programação do evento. (Thomaz Silva/Agência Brasil)

    A três meses da realização da COP30, programada para novembro, em Belém, o encontro busca aumentar a conscientização sobre os impactos da conferência no dia a dia da população. “Temos uma oportunidade de conversar sobre o que as mudanças climáticas significam na prática, num contexto local”, reflete Malini. No caso do Rio, quando o assunto é prevenção de desastres climáticos, a formação geográfica traz consigo problemas crônicos de alagamentos e deslizamentos, mas existem formas de reduzir os danos.

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    “Ao falarmos sobre a criação de parques, arborização ou da necessidade de mais espaços verdes, pode parecer que tratamos exclusivamente de lazer. Na verdade, ações como essas são fundamentais para a drenagem, evitando inundações, diminuindo a temperatura e gerando sombras”, aponta Maria Netto, do Instituto Clima e Sociedade (ICS) e nome confirmado no evento carioca.

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    O Rio é o primeiro município da América Latina a contar com um orçamento climático específico ó no último ano, quase 4 bilhões de reais foram destinados à adaptação a fortes chuvas e ondas de calor intenso. Além disso, o Centro de Operações e Resiliência (COR) é considerado um modelo a ser seguido em outras cidades — com direito a norma ABNT para poder ser replicado ipsis litteris.

    Modelo a ser seguido: a cidade vai zerar as emissões de gases do efeito estufa até 2050, promete Tainá de Paula.
    Modelo a ser seguido: a cidade vai zerar as emissões de gases do efeito estufa até 2050, promete Tainá de Paula. (Beth Santos/Victor Vieira/Prefeitura do Rio de Janeiro)

    No Observatório do Calor do Complexo do Alemão, um dos projetos mais recentes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, a ideia é seguir a tradição e estabelecer uma referência de enfrentamento a temperaturas elevadas que possa ser estabelecido em outras favelas Brasil afora. “O papel da boa política pública é garantir marcos climáticos. Um objetivo ousado é diminuir em quase 30% a emissão de gases do efeito estufa na cidade até 2030 e garantir a neutralização desses elementos até 2050”, promete Tainá de Paula.

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    + Como vai funcionar o Observatório do Calor no Complexo do Alemão

    A desaceleração do aquecimento global, contudo, não depende só do poder público, e um dos diferenciais da próxima COP e da semana climática no Rio é a inclusão das indústrias nos debates. “O setor privado sempre foi muito pouco ativo nessas discussões, mas é ele quem implementa as medidas criadas pelos governos”, explica Ricardo Mussa, ex-CEO da Raízen e da Cosan, com passagem marcada para a Climate Action Week. Na visão do empresário, um dos principais tópicos levantados deve ser o acesso a energia renovável barata.

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    No Brasil, 89% da energia elétrica já é limpa, e, na matriz de combustíveis líquidos, o etanol e o biodiesel são opções acessíveis e menos poluentes que a gasolina e o diesel. “O nosso problema, hoje, é o armazenamento. Há momentos do dia com excesso de eletricidade e outros em que falta energia”, complementa Mussa. Os passos podem parecer lentos, mas, ao longo dos últimos 33 anos, o Rio esteve à frente da construção de uma geração mais consciente. Agora, com a atenção do mundo voltada para a cidade mais uma vez, a questão que se impõe é menos sobre o passado e mais sobre o que faremos daqui em diante porque o relógio climático não para de correr.

    O compromisso é de todos: as principais conferências ambientais da história
    O compromisso é de todos: as principais conferências ambientais da história. (Paulo Jares/Divulgação)
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