Quantos governadores presos e inelegíveis o Rio já teve?
Cláudio Castro está longe de ser o único ocupante do cargo a sofrer sansões impostas pela Justiça; relembre outros casos nos últimos trinta anos
Condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça (24), o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) agora faz parte de um grupo nada seleto que reúne os últimos chefes do Poder Executivo no estado que foram alvo de sansões da Justiça, como prisão, cassação, impeachment e inelegibilidade. A lista inclui todos os governadores eleitos nos últimos 30 anos. Castro, por exemplo, escapou da cassação porque renunciou ao mandato na véspera do julgamento, na segunda (23). A Justiça Eleitoral o considerou culpado por envolvimento em um esquema de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Segundo as investigações, ele utilizou a estrutura da Fundação Ceperj e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) de forma ilegal para financiar cabos eleitorais e ampliar seu apoio em meio à disputa. Agora, está inelegível pelos próximos oito anos.
Cláudio Castro era vice na chapa de Wilson Witzel (2019-2021), seu antecessor e primeiro governador a ter um processo de impeachment consumado no estado desde a ditadura militar. Acusado de cometer crime de responsabilidade por suposto envolvimento em fraudes na compra de equipamentos e celebração de contratos durante a pandemia da Covid-19, Witzel foi condenado a cinco anos de inelegibilidade, prazo que se extingue este ano. Sem perder tempo, ele já anunciou sua pré-candidatura ao governo do Rio em 2026. E assina, ao lado de outros advogados, uma petição de seu partido, o Democrata, ao ministro Luiz Fux, do STF, discutindo regras da aguardada eleição indireta para governador do Rio por conta da vacância.
A história dos governadores envolvidos com problemas na Justiça é antiga. Em 2019, Moreira Franco (1987-1991) foi preso pela Operação Lava-Jato por suspeita de integrar esquemas de fraudes milionárias na Caixa Econômica Federal, realizadas enquanto estava na vice-presidência da instituição financeira. A prisão foi por poucos dias, e ele foi absolvido das acusações de improbidade administrativa devido à ausência de provas concretas. No entendimento da juíza Cláudia Valéria Bastos Fernandes, da 11ª Vara Federal do Rio de Janeiro, a acusação criou “narrativas recheadas de suposições”. Mas em 2017, quando era ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República no governo de Michel Temer, Moreira Franco foi condenado a devolver R$ 2 milhões aos cofres públicos por desvio de recursos na educação no estado do Rio.
Depois dele no cargo, Anthony Garotinho (1999-2002) foi condenado pelo TSE por corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento e coação de testemunhas, cometidos nas eleições de 2016 em Campos dos Goytacazes (RJ), nos fatos investigados na chamada Operação Chequinho. Ele foi preso pela primeira vez em 2016. Sua mulher, Rosinha Garotinho (2003-2006), que o sucedeu, também foi presa, em novembro de 2017, no âmbito da Operação Caixa d’Água, deflagrada pela Polícia Federal. Ele foi acusada de integrar uma organização criminosa que arrecadava recursos de forma ilícita com empresários com o objetivo de financiar as próprias campanhas eleitorais e a de aliados, inclusive mediante extorsão.
Na sequência, Sérgio Cabral (2007-2014) foi preso preventivamente em 2016, acusado de receber propina para beneficiar empresários em obras como a reforma do Maracanã e o PAC das favelas. Também foi réu confesso em um esquema de corrupção em obras da usina nuclear de Angra 3, acusado de desviar R$ 224 milhões em contratos do governo do Estado com empreiteiras.
O ex-governador colecionou denúncias e processos por diferentes crimes, incluindo corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, evasão de divisas, crimes contra o sistema financeiro, fraude em licitação e formação de cartel. Só em relação ao crime de lavagem de dinheiro, foram 184 acusações, que dariam conta da ocultação de cerca de R$ 40 milhões e movimentação de mais de US$ 100 milhões. Dos processos movidos contra ele, foi condenado em 23, com penas que, somadas, ultrapassavam 430 anos de prisão. Sérgio Cabral, no entanto, foi solto em dezembro de 2022 após passar 6 anos e 1 mês na prisão (2016-2022). Ele saiu da prisão para regime domiciliar e, posteriormente, obteve liberdade com monitoramento eletrônico.
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Ex-secretário de Obras de Cabral, Luiz Fernando Pezão (2015-2018) foi preso enquanto ainda ocupava o posto máximo do poder executivo no estado, em novembro de 2018, denunciado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele foi detido no âmbito da Operação Lava-Jato em uma ação que teve como base provas obtidas durante outras diligências que apuraram crimes cometidos justamente por seu antecessor.







