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Insegurança na Cinelândia faz o bar Amarelinho fechar mais cedo

A casa centenária antecedeu em duas horas o horário de fechamento por conta da violência na Cinelândia

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
12 fev 2026, 16h20 •
Amarelinho: a insegurança no Centro levou o bar a perder 50 % do faturamento.
Amarelinho: a insegurança no Centro levou o bar a perder 50 % do faturamento. (./Divulgação)
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  • O Centro do Rio nunca foi sinônimo de segurança, mas nos últimos anos a situação tem se tornado cada vez mais alarmante. O medo têm alterado até o horário de funcionamento de comércios da Cinelândia.

    O centenário Amarelinho, bar e choperia que há 105 anos resiste como ponto de encontro no coração do Rio, antecedeu em duas horas o horário de fechamento. Se antes a casa mantinha as saideiras até 3h, hoje — por conta dos arrastões — as portas se fecham às 1h, acompanhando o esvaziamento precoce das calçadas. As informações são de reportagem de Lívia Nani para o jornal O Globo.

    Além da mudança de horário, o Amarelinho e bares vizinhos, como o Super Bar, criaram operações para garantir a chegada em segurança ao transporte público. A orientação é nunca cruzar a praça sozinho. Garçons, cozinheiros e auxiliares aguardam uns pelos outros na porta para formar o que chamam de “blocos”.

    “Quando a gente encerra o expediente, tem que andar em bloco, com dez funcionários ou mais. A partir daí, eles não mexem. Com mais de seis pessoas andando juntas, não fazem arrastões”, explica Oberdan Rosa a’O Globo.

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    O Super Bar também passou a fechar mais cedo em razão da falta de insegurança. O impacto, em ambos os estabelecimentos, não é apenas psicológico, mas financeiro. O faturamento do Amarelinho caiu 50%, enquanto o do bar vizinho recuou 30%.

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    “São dois anos sem carnaval no Super Bar e, com este, será o terceiro. Tem muito arrastão aqui. São mais de 200 jovens, todos menores de idade. Metem a mão na roupa, roubam tudo. No sábado, fechamos a casa às 23h porque começam os arrastões”, relata Fábio Alexandre, gerente do Super Bar, ao veículo.

    Os dois gerentes destacam que o perfil dos criminosos é conhecido, formado majoritariamente por adolescentes:

    “Oitenta por cento são menores de idade que fazem os arrastões. Às vezes, a polícia está do lado, mas prende e depois tem que soltar porque é menor de idade. O problema é social”, afirma Oberdan.

    O problema se estende a passeios turísticos em pontos como a Praça Floriano, a guia de turismo Clara Ventura instrui os clientes a manter celulares nas doleiras e qualquer acessório, mesmo sem valor ocultados.

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    Há 9 anos atuando na região, Clara diz que o protocolo de segurança foi reforçado diante do aumento dos casos de roubos e da procura dos criminosos por cordões e pulseiras douradas.

    “A gente não avisa, a gente pede para o pessoal tirar o cordão. Tivemos três roubos em 12 dias, com grupos de espanhóis e ingleses. Levaram o celular de uma turista e, no outro caso, acho que foi um cordão”, conta ao jornal.

    Os alertas deixam alguns turistas tensos, mas ela prefere agir assim.

    “Enquanto todo mundo tira foto, eu estou olhando. Se vejo uma bicicleta, oriento: ‘Todo mundo guarda o celular agora’. Prefiro deixar você nervoso do que deixar acontecer alguma coisa durante o meu tour. Por enquanto, sou a única guia que não sofreu nenhum assalto e quero continuar assim. Ainda que eu deixe você um pouco mais nervoso, prefiro você seguro enquanto está comigo”, diz.

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    A equipe de reportagem do GLOBO relatou ainda a presença de três viaturas da Polícia Militar e duas do programa Segurança Presente na Praça Floriano. O reforço no policiamento busca responder a uma escalada de violência que já mobiliza as instâncias políticas da cidade.

    Instalada na região, a Câmara Municipal do Rio vem cobrando um “choque de ordem” no Centro desde outubro, em reuniões com o comando do 5º BPM (Praça da Harmonia) e com a coordenação do Segurança Presente. O vereador Carlo Caiado (PSD), presidente do Legislativo municipal, solicitará nova reunião com representantes da PM para que a vigilância na área seja reforçada.

    “Já tivemos duas reuniões com as forças de segurança sobre esse tema. Estamos pedindo um plano urgente para a Cinelândia, local que reúne instituições importantíssimas da cidade, como a própria Câmara, o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional, entre muitos outros. Esse plano precisa ser efetivado o quanto antes, para nos dar mais segurança”, afirma Caiado a’O Globo.

    Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), entre janeiro e outubro do ano passado, o Centro registrou mais de cinco mil furtos de celulares, alta de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior.

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    Em nota, a Polícia Militar informou que emprega um esquema especial de segurança, com efetivo extra que chegará a 12.500 policiais militares no carnaval oficial, com foco nos pontos de concentração de blocos no Centro, como as avenidas Rio Branco e Presidente Antônio Carlos. A estratégia inclui o monitoramento de grupos criminosos e o uso de tecnologias como videomonitoramento e reconhecimento facial.

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