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No tempo dos barões

A Mostra Casa Real, em Vassouras, recria a sede de uma fazenda para lembrar o ciclo do café

Por Lula Branco Martins
17 jul 2013, 15h43 • Atualizado em 5 jun 2017, 13h56
Claudio Santana e Cristiana Mendonça/Divulgação
Claudio Santana e Cristiana Mendonça/Divulgação (Redação Veja rio/)
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  • Desde os anos 80 o carioca vem se habituando a frequentar refinadas mostras de decoração. São eventos como o Casa Cor e o Morar Mais por Menos, que ocupam um imóvel inteiro, geralmente imenso, com o objetivo de apresentar propostas modernas para salas, quartos, cozinhas e banheiros. As pessoas costumam sair de lá com ideias para refazer ambientes de sua própria residência, adaptando as soluções ao poder de cada bolso. Pela primeira vez será realizada uma exposição desse tipo sem vínculo algum com o dia a dia dos visitantes. Vai acontecer em Vassouras, no interior do estado, e vem sendo chamada de “Casa Cor de antigamente”. Na sede de uma fazenda de café que no século XIX viveu o auge de sua produtividade e imponência, 22 espaços estarão abertos ao público, repaginados por arquitetos e decoradores em busca da perfeita tradução do passado. Para isso, obras de arte, peças de mobiliário, estátuas e vasos saíram de antiquários paulistas e fluminenses especialmente para o evento ? itens emprestados, que posteriormente poderão ser adquiridos em leilão.

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    O conceito da Mostra Casa Real surgiu de conversas da proprietária do lugar, a jornalista Liliana Rodriguez, com historiadores do Vale do Café. Tudo começou em 2004, quando ela e o marido, o administrador de empresas Nestor Rocha, adquiriram a Fazenda São Luiz da Boa Sorte (20 alqueires ao largo da BR-393) e encontraram as edificações em estado de penúria. Móveis quebrados, gado pastando no corredor e uma senzala quase irreconhecível, caindo aos pedaços. Restauro finalizado após anos de investimento, Liliana vem abrindo a propriedade a escolas da região, com visitas guiadas e encenação de esquetes que ajudam a contar como era a vida por ali na época da fundação, em 1835. Transportar o visitante ao cotidiano dos barões também é o propósito da atual exposição.

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    Fica notório, por exemplo, que a casa-grande se dividia em três partes. Logo após a varanda ficavam os escritórios, onde eram recebidos os negociantes, que dali não passavam. Adentrando-se a planta, vêm as grandes salas, como a de música e a “das senhoras”. Só nos fundos surgem os aposentos de caráter íntimo. Entre esses ambientes, chama atenção o “quarto do filho viajante”. Era comum que um dos meninos da prole aristocrática fosse encaminhado a estudar no exterior ? num exercício de criatividade, a trinca de decoradores Filipi Sartori, Luciana Arnaud e Mariana Dornelles imaginou que o Oriente fosse o destino do rapaz, e por isso o quarto está adornado de peças chinesas e japonesas, que ele teria trazido da viagem.

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    A mostra, que começa neste domingo (14) e fica duas semanas em cartaz, tem outros atrativos. Haverá missa na capela e passeios até o haras e ao que restou da moradia dos escravos. O restaurante montado ao lado da sede também entra no clima, com dois cardápios bem diferenciados: o “menu real” tem camarões à carlota joaquina, musseline de batata- baroa e flan de agrião; e o “menu da roça”, bem simples, traz panqueca de cenoura e vaca atolada. Mais casa-grande e senzala, impossível.

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