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“O Estado precisa ter liderança clara”

À frente da Comissão de Direitos Humanos, o vereador Marcos Dias comenta o combate à intolerância, segurança pública e planos futuros na política

Por Redação VEJA RIO
5 set 2025, 08h04 • Atualizado em 5 set 2025, 14h16
Marcos Dias, vereador do Rio pelo Podemos e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal em seu primeiro mandato. Leo Lemos
 (Marcos Dias, vereador do Rio pelo Podemos e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal em seu primeiro mandato. Leo Lemos/Reprodução)
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  • Vereador do Rio pelo Podemos, Marcos Dias, 53 anos, preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal em seu primeiro mandato. Nascido e criado em Guadalupe, na zona norte, é empresário, consultor de negócios e pastor da Assembleia de Deus, com formação em engenharia, administração e teologia. Em 2023, ocupou a Secretaria Municipal de Integração Metropolitana e, atualmente, defende na Câmara pautas ligadas à liberdade religiosa, defesa da família e inclusão social, tendo ganhado visibilidade ao propor a criação do Dia de Combate ao Antissemitismo e ao relatar denúncias de assédio na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que repercutiram nacionalmente. Em entrevista a VEJA RIO, o político fala sobre sua trajetória, os desafios do mandato e a intenção de disputar uma vaga no Senado.

    Como começou sua trajetória na política? Meu primeiro contato com a Câmara Municipal do Rio foi ainda adolescente, quando já queria entender por que tanto poder se concentrava nas mãos de poucas pessoas. Entrei nos movimentos estudantis, depois juvenis, e nunca mais me afastei. Já joguei em várias posições na política, sempre próximo da população. Para mim, ela é um espaço de transformação. Claro, há momentos duros, com ingratidões, divergências de pensamento. Mas aprendi a respeitar todos os lados, algo que vem da minha base bíblica, da fé cristã, que me ensina a amar o próximo.

    De que forma a fé influencia sua atuação? Ela é a base de tudo. Amar quem está perto é fácil. Difícil é estender a mão para quem perdeu tudo ou está desacreditado. Esse amor plural, acolhedor, guia minha caminhada. Sou pastor da Assembleia de Deus, mas sempre dialoguei bem com outras denominações e religiões. O que digo a prefeitos, governadores e até presidentes é que não adianta ter o melhor título acadêmico se não houver o tempero do amor.

    + Diego Faro: “A política deve estar presente na rua”

    E como lida com diferenças religiosas, ideológicas e políticas? Com respeito. Eu defendo aquilo em que acredito, mas não imponho minhas ideias a ninguém. Também não aceito que tentem me impor algo goela abaixo. O problema é que vivemos um tempo de polarização, em que muitos apenas repetem narrativas para ganhar likes. Aqui, na Câmara, somos 51 vereadores de partidos diferentes. Sempre que uma pauta é legítima, sem segundas intenções ideológicas, eu apoio.

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    Quais são hoje os maiores desafios do Rio? Sem dúvida, a segurança pública. Essa é a pauta número um, porque a insegurança está levando pessoas a deixar o estado e até o país. O Estado precisa reagir, mas hoje está sem comando. Quem manda? É preciso ter liderança clara, capaz de corrigir rumos e reunir todas as instituições. O Brasil tem vocação para o sucesso, com um povo alegre, resiliente, que acredita no futuro. Mas são necessárias ações concretas.

    Como funciona sua rotina de contato com a população? Meu telefone é 24 horas, e procuro responder ao máximo possível — mesmo recebendo mais de 600 mensagens por dia. A maioria dos projetos de lei nasce desse contato direto. Nosso gabinete é inclusivo: atendemos pais de crianças atípicas e pessoas com comorbidades, pensando também nos familiares. É emocionante ver pessoas que antes não tinham oportunidades sendo apoiadas e, sobretudo, ver o sorriso de quem recebe atenção e cuidado.

    Como é estar à frente da Comissão de Direitos Humanos? Exige estudo e sensibilidade. Direitos humanos vão muito além de debates ideológicos: tratam da vida e da dignidade. Assédio moral, por exemplo, é um dano tremendo às pessoas, e muitas questões antes invisíveis hoje entram na pauta. Com respeito, também deixo clara minha posição: sou contra o aborto, valorizo a família e defendo menos interferência do poder público na iniciativa privada. Para mim, direitos humanos são, antes de tudo, o direito à vida. 

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    + William Siri: “Construímos políticas ouvindo quem vive o problema”

    Como transformar denúncias contra direitos humanos em ações efetivas? Recebemos, por exemplo, uma denúncia de assédio moral na Confederação Brasileira de Futebol [CBF]. Muitos alertaram que seria um “vespeiro”, mas enfrentamos com coragem e respaldo de uma equipe multidisciplinar. O caso se desdobrou em falsificação e outros crimes e resultou na saída do antigo presidente da entidade, com encaminhamento ao Tribunal de Justiça. Hoje a CBF tem nova direção. Esse é um exemplo de como, com trabalho sério, é possível transformar denúncia em resultado concreto.

    Quais iniciativas destacaria no combate à intolerância? Instituímos, por exemplo, o Dia de Combate ao Antissemitismo. Historicamente, essa é uma pauta central para mim, diante do sofrimento do povo judeu. Mas também defendemos cidadãos LGBTQIA+ e qualquer pessoa que busque a comissão por perseguição ou agressão. Independentemente de convicções pessoais ou religiosas, é papel do Estado garantir acolhimento e proteção.

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    O que mais o orgulha no mandato e quais são os próximos passos? O maior orgulho é saber que tantas pessoas confiaram em mim, um garoto que veio de Guadalupe, para representá-las. Essa oportunidade não tem preço. Já estive em várias posições como assessor, chefe de gabinete e secretário, mas agora o povo me aceitou como representante. Quanto ao futuro, sou presidente municipal do Podemos e sou pré-candidato ao Senado. É um desafio enorme, mas estou preparado para defender o Rio de Janeiro e o Brasil.

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