Vídeo: PM agride estudantes em colégio na Zona Sul
Nesta quarta (25), o policial militar Ricardo Telles Noronha Júnior foi afastado pela agressão de três jovens ligados a entidades estudantis
O policial militar Ricardo Telles Noronha Júnior foi afastado das ruas por agredir três jovens ligados a entidades estudantis, na manhã desta quarta, na Escola Estadual Senhor Abravanel, no Largo do Machado, na Zona Sul.
As agressões foram gravadas e mostram o PM, bastante exaltado, desferindo murros e tapas nos rapazes. Uma jovem afirmou que teve a camisa rasgada pelo agente.
As vítimas são Marissol Lopes, de 20 anos, presidente da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro (Ames RJ); Theo Oliveira, de 18 anos, diretor da Ames RJ; e João Herbella, diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ.
Os três jovens foram à unidade de ensino para participar de uma reunião com alunos que queriam fazer um abaixo-assinado para pedir pelo afastamento de um professor acusado de assédio sexual. O docente foi afastado apenas horas depois do episódio de violência.
Segundo o trio, a direção da unidade de ensino alegou que eles estavam invadindo o espaço e, como as vítimas se recusaram a deixar o imóvel, a PM foi acionada. As informações são do jornal O Globo.
Marissol afirmou que não houve qualquer tentativa de diálogo por parte do policial militar durante a abordagem. Ao ser tocada no braço pelo PM, ela pediu que ele não a tocasse e levou um tapa no rosto.
“Eu senti ódio, raiva, indignação, inclusive por saber que isso não foi uma coisa comigo. Isso acontece com diversos estudantes, a violência policial, o próprio assédio sexual que estamos denunciando. Dói muito. Mais do que um tapa que eu levei a violência cotidiana, não é uma coisa pontual. Nós não vamos parar de fazer o nosso trabalho na escola, estamos referendados pela lei e pelos próprios estudantes da escola que estão apanhando nessa luta”, disse Marissol ao jornal O Globo.
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Agredido a socos, Theo afirmou que a diretora da escola tentou impedir a entrada dele, de Marissol e de João. Mas, como tinham um documento oficial da Secretarial estadual de Educação (Seeduc), que comprova a nomeação deles como membros de associações estudantis, os três seguiram em frente.
“A direção da escola foi totalmente autoritária, chamou a polícia para a gente. O policial foi completamente agressivo, puxou a camisa da minha colega e deu um tapa nela. Depois deu um soco na minha boca, enquanto eu fui tentar defender. As autoridades policiais, ao invés de proteger, batem nos estudantes. A gente estava fazendo o certo, querendo tirar um um assediador de dentro da escola. Mas a direção não viu por esse lado”, disse ele.
Nas imagens, o agente ameaça apreender o celular que capturou a gravação, como prova de que os jovens se recusaram a sair da escola. Uma das vítimas se aproxima do policial, que em seguida segura em seu braço e começa desferir uma sequência de tapas. Um segundo rapaz tenta intervir e é empurrado.
Após serem agredidos, Marissol, Theo e João foram detidos pelo PM e por um segundo agente que estava no local agentes e levados para a 9ª DP (Catete), por desacato à autoridade. A denúncia sobre as agressões foi enviada para o gabinete do deputado federal Tarcísio Motta (Psol), que postou o vídeo.
A agressão cometida pelo PM foi testemunhada pelos alunos da Amaro Cavalcanti. Um deles, que assinou o abaixo-assinado, contou ao jornal que os jovens agredidos tentaram conversar com o policial.
“O policial já chegou falando que eles não podiam estar ali. Os meninos começaram a debater com o PM, não desacatando, era um diálogo normal. Só que na hora que ela (Marissol) foi falar alguma coisa, o policial a segurou. Ela disse: “Não encosta”. O PM deu um tapa na cara dela”, revela o aluno Pedro Conforti, de 21 anos.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que “diante da gravidade dos fatos contidos nas imagens captadas na referida unidade de ensino, determinou que a Corregedoria Geral instaure um procedimento para apurar a conduta do agente de maneira imediata”.
Segundo a corporação, o militar foi identificado, será encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) e está afastado das ruas de modo preventivo.





