Polêmica à vista? Por que Salgueiro fez comunicado antes do desfile
Nota menciona Gabriel David, presidente da Liesa e filho de Anísio Abraão, patrono da Beija-Flor, vencedora em 2025 sob fortes críticas da escola da Tijuca
Um comunicado oficial divulgado pela Acadêmicos do Salgueiro nesta terça (17), último dia dos desfiles do Grupo Especial, acirrou os ânimos e as rivalidades no Sambódromo: mesmo antes de se apresentar com o enredo que homenageia a carnavalesca Rosa Magalhães, a escola se dirigiu à Liesa para falar sobre o julgamento, em discurso que traz implícito um tom de desconfiança – a princípio justificado pela insatisfação com o resultado de 2025, ano em que a escola publicou nota contundente após ter ficado em 7º lugar e fora do desfile das campeãs.
No novo posicionamento, a agremiação afirma confiar na condução do processo de avaliação e ressalta a expectativa por critérios técnicos e imparciais, mencionando nominalmente Gabriel David, o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Vale lembrar que Gabriel é filho de Anísio Abraão David, patrono da Beija-Flor, vencedora em 2025 e alvo indireto dos ataques do Salgueiro.
A íntegra da nota afirma: “O G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro reafirma sua plena confiança na realização de julgamentos justos, pautados exclusivamente pelo que for apresentado na Avenida. Confiamos na lisura, no comprometimento e na condução séria da Liesa, sob a presidência de Gabriel David, bem como na coordenação e no corpo de julgadores selecionados. Acreditamos que o trabalho conjunto garantirá um carnaval sério, ético e tecnicamente impecável para todas as agremiações. A paixão que move o carnaval é a mesma que impulsiona a excelência e o respeito absoluto ao pavilhão de cada escola. Seguimos firmes. Com responsabilidade. Com respeito. Pelo carnaval.”
A manifestação ocorre após a forte reação da escola no ano passado. Em 2025, na quinta-feira seguinte à apuração, a diretoria do Salgueiro divulgou comunicado afirmando que não iria “se intimidar com essa quadrilha de canalhas que está tentando acabar com o carnaval”, em referência a supostos “ladrões de plantão”. Na ocasião, a agremiação também agradeceu ao patrono Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, que está foragido.
A atitude do Salgueiro com o comunicado seria provocada por um racha na cúpula do jogo do bicho. Segundo o jornal O Globo, Adilsinho atribui as notas baixas à má relação com bicheiros da “velha guarda”, como Ailton Guimarães Jorge, patrono da Vila Isabel, e Anísio Abrahão David, da Beija-Flor. Em ligação interceptada pela PF, ele falou em criar uma nova cúpula do jogo, possivelmente com Rogério Andrade, ligado à Mocidade Independente de Padre Miguel, para substituir a estrutura formada nos anos 1970.
O objetivo seria superar a antiga organização e ganhar espaço na hierarquia. Mesmo com quatro mandados de prisão, Adilsinho investiu pesado no desfile deste ano — apontado nos bastidores como o mais luxuoso dos últimos tempos — e apostou na contratação de celebridades como estratégia para fortalecer a imagem da escola.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
Investigações da Polícia Civil relacionam Adilsinho a um grupo suspeito de operar um cassino on-line clandestino que teria movimentado cerca de R$ 130 milhões em três anos, além de citá-lo como alvo da Operação Banca Suja. Ele também é mencionado em apurações sobre a fabricação e comercialização de cigarros ilegais na Região Metropolitana do Rio, com indícios de expansão dessas atividades para outros estados.





