Como era o esquema de venda de armas produzidas com impressora 3D

Operação Shadowgun prendeu quatro suspeitos em 11 estados; principal produto negociado é uma arma semiautomática impressa com a tecnologia

Por Da Redação 12 mar 2026, 14h37 •
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Arsenal em 3D: principal produto comercialiado pelo grupo é uma arma semiautomática impressa com a tecnologia (TV Globo/Reprodução)
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  • Um esquema interestadual de produção e venda de armamentos fabricados com impressoras 3D começou a ser desmantelado nesta quinta (12), com a deflagração da Operação Shadowgun pela Polícia Civil do Rio, o Ministério Público do Rio (MPRJ) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Agentes saíram para cumprir cinco mandados de prisão em São Paulo, além de 36 de busca e apreensão lá, no Rio e em outros nove estados. Até o início da tarde, quatro homens haviam sido presos — entre eles o que é apontado como chefe da quadrilha, encontrado em Rio das Pedras (SP). Ele foi identificado como Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, o Zé Carioca. Tambpem foram apreendidas em um galpão armas de diversos calibres, incluindo pistolas, revólveres, espingardas e rifles, além de coletes, capacetes, munições, rádios, celulares, computadores e equipamentos eletrônicos. Os denunciados responderão pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo.

    A operação tem o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e de policias civis de onze estados. As diligências tiveram início após um órgão internacional compartilhar com o Ciberlab um alerta sobre postagens em redes sociais com ofertas de armas impressas em casa. Segundo as investigações da 32ª DP (Taquara) e do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGaeco/MPRJ), o grupo produzia e comercializava principalmente carregadores de armas de fogo feitos por impressão 3D, além de divulgar projetos de “armas fantasmas” — que não possuem rastreabilidade.

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    O principal produto disseminado pelo grupo é uma arma semiautomática impressa em 3D. O projeto era divulgado com um manual técnico detalhado e com um “manifesto ideológico” defendendo o porte irrestrito de armas. De acordo com a Polícia Civil, Lucas Alexandre é um engenheiro especializado em controle e automação. Sempre mascarado, ele publicava nas redes sociais testes balísticos, atualizações de design e orientações sobre calibração e montagem das armas. E elaborou um manual com mais de 100 páginas detalhando o processo de fabricação, o que permitiria que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D produzissem o armamento com equipamentos de baixo custo e em casa. As investigações apontam que o material circulava em redes sociais, em fóruns e na dark web. O grupo também utilizava criptomoedas para financiar as atividades.

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