Coisa pública: ‘República das Laranjeiras’ tem jornal gratuito feito por moradores
Batizada com o apelido do alternativo bairro da Zona Sul, publicação que nasceu no Maya Café defende causas e destaca personagens da orgulhosa vizinhança
Apelidado de República das Laranjeiras, o arborizado e alternativo bairro da Zona Sul desde o último novembro tem um jornal para chamar de seu. Daqueles de papel, para defender causas próprias e jogar luz em personagens da orgulhosa vizinhança, nascido num café, o Maya, há dezoito anos fincado na Rua Professor Ortiz Monteiro. “Um café atrai pessoas interessantes”, observa o jornalista e sócio Ricardo Linck. Ele é idealizador, editor, diagramador e até gráfico do República, periódico quinzenal de dezesseis páginas, com tiragem de 500 exemplares, distribuído gratuitamente no entorno — da livraria Janela à tradicional loja de material de construção Areia Fina.
“Num tempo em que todo mundo está rolando telas, estamos resgatando um valor”, orgulha-se ele, que até comprou uma impressora para dar conta do recado. Endereço de cariocas ilustres como Cecília Meirelles e Cartola no passado, até hoje a região atrai cabeças pensantes das mais variadas áreas: cerca de vinte delas se revezam como colunistas para falar de causos e curiosidades que rondam aquele território.
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Tem desde o zoólogo José Pombal Junior discorrendo sobre a fauna local ao historiador Daniel Aarão Reis comentando questões de governança. Um dos redatores é o arquiteto-paisagista Eduardo Barra. “Ele já escreveu sobre o Rio Carioca, enterrado debaixo da Rua das Laranjeiras, e até fez um projeto de praça para o último local em que se vê suas águas”, conta Linck, um defensor da bandeira daquelas bandas da cidade. Uma excelente política de boa vizinhança.





