Rioprevidência resgatou 560 milhões do Banco Master antes da falência
Quantia será usada para pagar a folha de novembro e a 2ª parcela do 13º em dezembro; Fazenda repassará R$ 1,1 bi dos royaties para garantir folha de dezembro
O Rioprevidência vai receber R$ 560 milhões de um fundo administrado pela corretora do Banco Master. O restate foi iniciado antes da liquidação da instituição financeira pelo Banco Central e da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. A previsão é de que o dinheiro, que será usado para pagar aposentados e pensionistas do estado do Rio, seja depositada na próxima semana. O instituto fluminense segue com R$ 960 milhões aplicados em dois fundos no Master.
+ Armazém da Utopia, 15 anos de resistência no Porto do Rio
Segundo informações do portal G1, o valor resgatado será somado ao que o Rioprevidência tem para quitar a folha referente a novembro e à segunda parcela do 13º dos 242 mil aposentados e pensionistas do estado. A folha de pagamento mensal é de cerca de R$ 1,9 bilhão. Para fechar 2025, a Secretaria estadual de Fazenda vai repassar R$ 1,1 bi ao instituto. Isso porque desde janeiro, o dinheiro dos royalties não vai mais diretamente para o caixa do Rioprev, como acontecia até dezembro de 2024. O Banco do Brasil recebe os repasses, envia para a Fazenda, que disponibiliza o valor necessário para fechar as contas do Rioprevidência.
Desde maio, quando o Tribunal de Contas do Estado (TCE) identificou R$ 2,6 bi investidos pelo Rioprevidência no banco, teve início a retirada de valores do banco. Ainda de acordo com o G1, a primeira medida foi o resgate de todo o dinheiro que constava do fundo Arena, um dos três em que o Rioprevidência investiu e que eram administrados pela corretora do Master. Quando houve a liquidação do Master estava em andamento a negociação para a venda de letras financeiras que seriam trocadas por precatórios federais. Agora, vai depender da negociação com o interventor do Banco Master, indicado pelo Banco Central.
Com o resgate de R$ 560 milhões de um dos fundos, o Arena, ainda restarão investimentos do Rioprevidência em dois outros fundos, administrados pela corretora do Master, escolhida pelos gestores de cada um dos fundos: o Revolution e o Texas:
Revolution: O fundo tem 2 investidores; um deles é o Rioprevidência. O valor atual do fundo é de R$ 4,8 bi, sendo pouco mais de R$ 400 milhões do Rioprev. O fundo é de títulos públicos federais e crédito privado. A gestora aplicou o dinheiro em terrenos, shoppings, além de aplicar R$ 80 milhões em CDBs do Banco Master. Quando a liquidação do Master foi decidida pelo Banco Central, a gestora do Revolution já havia iniciado o processo para retirar o fundo do Master e levar para a administração de outro banco.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
Texas: Outro investimento do Rioprevidência é no valor de R$ 150 milhões. É um fundo previdenciário com resgate para 2033 e 2034. São 6 investidores neste fundo, entre eles, o Rioprev. Não houve diversificação de investimentos. Todas as aplicações são em ações da Ambipar. A empresa é conhecida por sua atuação em gestão de resíduos ou projetos ligados à sustentabilidade, entrou com pedido de recuperação judicial em 20 de outubro.
Leia a íntegra da nota do Rioprevidência
“O Rioprevidência informa que é inverídica a informação de que o Banco Master seria destinatário de mais de R$ 2,6 bilhões em investimentos pela autarquia. O valor efetivamente aplicado pelo órgão foi de aproximadamente R$ 960 milhões, em Letras Financeiras emitidas pela instituição entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034. Atualmente, a autarquia está em negociação para substituir as letras por precatórios federais.
O Rioprevidência ressalta ainda que o pagamento de aposentadorias e pensões está garantido, não havendo qualquer risco para os segurados do Estado do Rio de Janeiro. Cabe destacar ainda que o valor investido junto à instituição é inferior ao da folha mensal paga pela autarquia aos aposentados e pensionistas, hoje em R$ 1,9 bilhão, custeada em grande parte pela receita de royalties e participações especiais.
O montante relativo ao investimento que vem sendo equivocadamente veiculado se deve a um cálculo feito pelo TCE-RJ, que inclusive já foi esclarecido pelo Rioprevidência em recurso apresentado à Corte de Contas.
Importante esclarecer ainda que à época das aplicações, o Banco Master S.A. detinha autorização de funcionamento emitida pelo Banco Central do Brasil, credenciamento ativo junto ao Ministério da Previdência Social e classificação de risco de crédito de “grau de investimento” — rating nacional de longo prazo “A-”, atribuído pela Fitch Ratings, atestando solidez financeira e a credibilidade institucional. As aplicações foram realizadas em conformidade com todos os regramentos vigentes à época e de acordo com o Plano Anual de Investimentos que foi aprovado pelo Conselho de Administração da Autarquia”.





