O protagonista foi o Rio: Vale Tudo chega ao fim com 226 cenas externas
Foram mais de 300 dias de gravações fora de estúdio, o que tornou o remake de Manuela Dias a novela mais gravada pela cidade, segundo Rio Film Commission
A releitura da trama que mobilizou o Brasil em 1988 transcendeu a telinha, conquistando audiência num cenário mais amplo. Desde o início do ano, o carioca passou a conviver com personagens como a Raquel Accioly de Taís Araújo vendendo seus sanduíches na Praia de São Conrado até a Odete de Debora Bloch vivendo (e morrendo) no Copacabana Palace. Provas de que, depois de quase duas décadas mais confinadas nas cidades cenográficas dos estúdios Globo, em Curicica, na Zona Oeste, uma telenovela voltou a tomar as ruas com suas cenas e burburinhos. Um caminho que extrapolou o script e tornou a cidade da vida real protagonista desta história. Segundo a Rio Film Comission, departamento da RioFilme, da Secretaria municipal de Cultura, que atende às produtoras que gravam no município, nos últimos onze meses foram contabilizadas 226 externas de Vale Tudo, que acaba nesta sexta (17) gravadas em solo carioca.
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No total, foram mais de 300 dias de gravações fora de estúdio, o que tornou Vale Tudo a novela mais gravada em externas, segundo dados da Rio Film Commission. Bairros como Glória, Barra da Tijuca e Ipanema receberam grande parte dessas filmagens, em locais públicos como praias e a Lagoa, passando por locações como o salão de beleza Care, em Ipanema, bares como um no subsolo de um quiosque no Leme e diversos imóveis.
Tirar o Rio do papel de um mero pano de fundo é uma marca da obra original – escrita por Gilberto Braga (1945-2021) em parceria com Aguinaldo Silva e Leonor Bassères (1926-2004) – que foi preservada na adaptação de Manuela Dias. Ela acentuou o “ser carioca”, ao inserir patrimônios materiais e imateriais locais, como a roda de samba, no roteiro. O resultado é que surgiu em horário nobre uma geografia revisitada da capital fluminense. No caso da versão anos 80, em tempos de redemocratização e desemprego, por exemplo, boa parte da história se desenrolava no Catete, onde vivia o núcleo de classe média baixa. E havia espaço também para a paisagem humana do bairro, com verdadeiros clipes de passantes, engraxates e moradores de rua entre as cenas. Na atualização, prevaleceram ângulos mais fotogênicos da Cidade Maravilhosa. E o processo de gentrificação pelo qual passou a região, na beirada da Zona Sul, acabou empurrando personagens como Raquel, Poliana (Matheus Nachtergaele) e cia
para Vila Isabel, na Zona Norte.
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Não por acaso, os cariocas trouxeram tramas e personagens para a vida. Odete Roitman, quem diria, virou tema de bloco do carnaval, o Odete Bloco. Em pleno mês de outubro, fãs fantasiados percorreram ruas da região central da cidade como se fevereiro fosse. E esta noite, quando finalmente for revelado quem a matou – se é que ela morreu mesmo, há controvérsias -, não faltam festas para acompanhar o derradeiro capítulo, em bares ou na casa de amigos. Uma movimentação que vai deixar saudade.





