Casos de violência fecharam unidades de saúde quase 700 vezes em 2025
Falta se segurança impactou de alguma forma o serviço de saúde municipal ao menos 2.683 vezes, uma média de dez episódios por dia
A invasão de criminosos com fuzis promovida na madrugada da última quinta (18) ao Hospital municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste, para tentar assassinar um paciente baleado, está longe de ser um caso isolado no Rio. A violência armada provocou o fechamento de clínicas da família e postos de saúde 698 vezes entre o início do ano e meados de setembro. A média é de quase três incidentes por dia. Os dados mostram que, no período, a violência impactou de alguma forma o serviço de saúde municipal ao menos 2.683 vezes. Foram, em média, dez episódios por dia — na pior data, 29 de janeiro, uma mega operação policial aconteceu no Complexo da Maré, na Zona Norte.
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Os números foram extraídos de um documento do programa Acesso Mais Seguro, instituído no Rio em 2009, ao qual o jornal O Globo teve acesso, e mostram que o problema é ainda maior do que o exposto pelo secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, no fim da semana passado. Após a invasão ao Pedro II, ele afirmou que, somente neste ano, as unidades de saúde foram fechadas 516 vezes por questões de segurança pública. Após a afirmação, o secretário estadual de Segurança, Victor Santos, chegou a chamá-lo de mentiroso.
O Acesso mais Seguro é uma espécie de protocolo de guerra elaborado em parceria com a Cruz Vermelha Internacional, adotado por escolas e unidades de saúde municipais. Através dele, quem trabalha nestes lugares analisa as condições de segurança para abrir o estabelecimento e continuar os serviços até o encerramento das atividades. São estipulados quatro níveis de avaliação: verde (funcionamento normal), amarelo (cancelamento das atividades externas), laranja (fechamento temporário) e vermelho (fechamento total e evacuação).
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São casos como o ocorrido em uma clínica da família em que uma paciente disse ter perdido o celular e, em seguida, alegou que algum funcionário teria furtado o aparelho. Ela deixou o local, no subúrbio da cidade, e depois voltou acompanhada por traficantes armados, que distribuíram ameaças aos profissionais de saúde.





