BBB, denúncia e engajamento: a matemática torta da fama. Psi comenta
"O reality traduz um país pobre em produção cultural e rico em autoritarismo, fingimento e literatura medíocre falando sobre o nada"
A saída de Pedro Henrique Espíndola do BBB26, depois de uma denúncia de assédio, não diminuiu sua visibilidade nas redes sociais. Pelo contrário: ele ganhou mais de 50 mil seguidores em poucos dias — no mundo da fama instantânea, sabemos, até o constrangimento vira engajamento.
Antes de apertar o botão de desistência, Pedro tinha 126 mil seguidores e agora está com 176 mil (e subindo). O crescimento veio depois do episódio com a participante Jordana, um caso que teve repercussão da emissora, de vários ativistas pela defesa da mulher e chegou à Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) de Jacarepaguá, onde foi instaurado um procedimento para apurar possível importunação sexual.
Enquanto isso, Rayne Luiza, mulher de Pedro, apagou uma foto com ele e deixou de segui-lo no Instagram. Em poucos dias, mais de 600 mil pessoas passaram a segui-la, à espera de algum posicionamento ou apenas por curiosidade mesmo.
Para entender esse “fenômeno” da inversão de valores, a coluna ouviu o psiquiatra Arnaldo Chuster: “Esse programa de péssimo gosto explora o voyeurismo e o exibicionismo, traços infantis que se tornam perversos no adulto. No meu entender, se aproxima muito do que é um hospício. As pessoas ficam lá internadas expondo suas idiossincrasias e vão tendo alta ou ‘morrendo’ por causa das suas doenças.”
E segue: “Certamente o processo de identificação ocorre e vai tanto para o lado do bem quanto do mal. É essa luta primitiva que os produtores desejam expor. Aparecem pessoas com problemas de caráter, e há telespectadores que se identificam com esses problemas. Existe também uma curiosidade mórbida, geralmente associada à estupidez e à arrogância. Esse tipo de espetáculo traduz uma questão cultural de um país pobre em produção cultural e rico em autoritarismo, fingimento e literatura medíocre falando sobre o nada.”





