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Lu Lacerda

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Jornalista apaixonada pelo Rio

De próprio punho, por Monica Hauser: “Israel é meu lugar no mundo” 

Desde 7 de outubro de 2023, a pergunta que eu mais escuto é: "Por que você escolheu morar logo em Israel?"

Por lu.lacerda
21 jun 2025, 07h00 •
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 (./Divulgação)
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  • Desde 7 de outubro de 2023, a pergunta que eu mais escuto é: “Por que você não volta pro Brasil?”. Logo em seguida: “Por que você escolheu morar logo em Israel?”

    Desde que a guerra com o Irã começou, essas perguntas só aumentaram. E eu entendo. Não é simples entender essa escolha; afinal, Israel tem um histórico real de conflitos, guerras, tensão constante com seus vizinhos. Mas a minha decisão de viver aqui não foi baseada em lógica.

    Eu não sou especialista em política ou em guerras. Também não entendo todos os processos históricos que Israel passou em seus anos de existência, até ser reconhecido como Estado. E nem é sobre isso que quero falar.

    Quero falar sobre escolha, sobre intuição, sobre caminho. Quero falar sobre a minha história, sobre como eu troquei o Brasil (o Rio de Janeiro) e a minha vida como assessora de imprensa de cultura, artistas, gastronomia, entretenimento e moda, por uma vida mais simples, sem tanto glamour, em Israel.

    Eu sempre gostei de vir pra Israel, mas nunca sonhei em morar aqui. Na verdade, meu sonho sempre foi morar nos Estados Unidos, mas a vida foi me levando por outro caminho.

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    Minha prima foi a primeira da família a vir, há quase 20 anos; depois, minha irmã mais nova. Mas a minha virada aconteceu há 16 anos, durante uma viagem, e num momento que até hoje parece surreal. Estava numa palestra na Cidade Velha de Jerusalém, quando senti uma fraqueza estranha. Algo estava acontecendo. Não lembro de tudo, mas me lembro de ver minha alma saindo do meu corpo, sobrevoando o país, me mostrando lugares novos, me fazendo sentir a grandiosidade de Israel. Quando voltei, eu só conseguia chorar e repetir: “Aqui é o meu lugar. Preciso morar aqui.”

    Voltei ao Brasil, com essa certeza. Porém, chegando, as coisas foram acontecendo: minha empresa cresceu, ganhei novos clientes, a vida fluía. E fui ficando. Até que, anos depois, vim ao casamento da minha irmã aqui, em Israel, e entendi: agora é a hora.

    Comecei a fechar minha empresa aos poucos; passei meus clientes pra uma amiga. Um ano depois, embarquei com meu cachorro rumo à minha nova vida — cheia de medo, mas também cheia de certeza, certeza de que eu estava indo pro meu lugar no mundo.

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    Cheguei, mudei de carreira, virei professora de creche e, recentemente, abri minha própria creche em sociedade com uma amiga. Encontrei meu espaço na sociedade israelense — mesmo com os desafios da língua, da cultura, das diferenças. E fui ainda mais longe: escolhi ser mãe solo. Hoje tenho um filho lindo, de 2 anos e meio, que me dá mais força e mais certeza de que fiz a melhor escolha. Escolhi o melhor lugar pra viver e pra criar meu filho.

    Hoje me sinto adaptada. E feliz.

    E então veio a guerra.

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    Essa semana eu achei que podia morrer.

    O alerta soou às 7 da manhã. Era aquele apito ensurdecedor que avisa: “Mísseis a caminho. Procure abrigo imediatamente.”. Leo ainda dormia. Quando a sirene começou, ele pulou no meu colo e descemos. No abrigo, sons que nunca tínhamos ouvido antes. Mísseis sendo interceptados. Explosões. O prédio tremendo. Janelas estourando. E eu ali, chorando em silêncio, abraçada ao meu filho, tentando protegê-lo com tudo que eu sou.

    Caiu a 500 metros da minha casa. Amigos foram atingidos, prédios danificados. O telefone não para; mensagens, ligações, gente querendo saber como estamos. E estamos… vivos. Em choque. Assustados, mas vivos.

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    Saio pra comprar comida, procurar outro abrigo, mais seguro, mais limpo que o do nosso prédio. A cidade respira tensão. Olhares cruzam, palavras saem sem filtro. Pessoas que nunca se viram trocam apoio como se fossem da mesma família. Porque hoje somos todos sobreviventes do mesmo pesadelo.

    E eu só consigo pensar: por que é tão difícil viver em paz? Por que ainda precisamos ensinar ao mundo que todas as vidas importam? Que ninguém deveria ter que passar por isso — nem aqui, nem em lugar nenhum? Hoje foi por pouco.

    E mesmo com o medo, com o caos, com os questionamentos, eu sigo. Porque foi aqui que encontrei a mim mesma. Foi aqui que virei mãe, empreendedora, educadora, parte dessa sociedade. Foi aqui que escolhi viver. E, apesar de tudo, sigo certa de que este é o meu lugar. Porque, mesmo em meio ao caos, à incerteza e ao medo, aqui tem vida, tem fé, tem um sentido que vai além da lógica.

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    É duro? Muito. Assustador? Muitas vezes. Mas é aqui que eu escolhi plantar a minha vida.

    Monica Hauser é educadora e sócia de uma creche bilíngue em Tel Aviv, onde também é professora. Formada em Jornalismo, atuou por 20 anos como assessora de imprensa e redatora de conteúdo nas áreas de moda, gastronomia e cultura, até decidir seguir sua vocação na Educação Infantil. Mãe solo, vive os desafios de criar seu filho em meio a uma nova cultura — e em tempos de guerra —, com coragem, amor e empatia.

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