Julia Barandier lança seu 2º romance inspirado em antepassado
“Consigo Inventar Tudo” (Diadorim) tem orelha do imortal da ABL Paulo Henriques Britto
A escritora Julia Barandier optou por não continuar a tradição familiar de grandes criminalistas cariocas, inaugurada pelo avô (Antonio Carlos Barandier, o “Baranda”, morto em 2020) e seguida pelo pai (Márcio Barandier) para se dedicar, com o mesmo talento, à literatura.
Nessa quinta (14/08), ela lançou seu segundo romance, “Consigo Inventar Tudo” (Diadorim), na Travessa de Ipanema, com orelha do imortal da ABL Paulo Henriques Britto, em história ficcionalizada sobre a vida de Claude Barandier, que ela não sabe exatamente o grau de parentesco. Pintor e retratista francês do século XIX, ele fez carreira no Brasil no contexto da pintura acadêmica da Missão Francesa, que seguia os padrões neoclássicos e valorizava a estética greco-romana.
Nascido na vila de Chambéry, em 1807, emigrou para o Brasil em 1838, morou no Rio e em Campinas, onde viveu até o fim da vida. Barandier circulou entre a elite da Corte portuguesa, retratou nobres, artistas e até mesmo o Imperador Dom Pedro II.
São todos fatos, mas é apenas o ponto de partida do livro narrando uma história inventada a partir de retalhos sobre seu mais antigo antepassado no Brasil.
“O processo foi árduo. Passei muitos dias imersa na atmosfera sombria e lidando com personagens duros, melancólicos e solitários. Acho que eu mesma entrei no ritmo da obsessão da minha protagonista. E, no final, me sentia um pouco como ela: duvidando das minhas fontes, dos arquivos, sentindo que estava cutucando um pouco excessivamente os fantasmas do meu passado. Acho que o livro só pareceu real mesmo pra mim quando o vi nas mãos de tantas pessoas queridas”, na fila infinita da livraria. A salvação, digamos assim, é que a autora, diferentemente de certos escritores, não é o perfil que bota a vida em dia: tentou ser o mais rápida possível! Dedicatórias criativas sob o colágeno dos 25 anos, ora sentada, ora em pé, num corpinho bem magro, alongado, e olhar amoroso para cada um.
E cita uma passagem do livro: “’Saber que não se escreve para o outro’, diz Barthes, mas saber também que é através dos outros que a escrita pode virar motivo de festa”.
Julia é formada em Letras pela PUC-Rio e mestranda em Estudos da Linguagem pela mesma universidade.





