Morre a acadêmica Heloisa Teixeira: “A perda de Heloísa é pesada e dói”
Ela estava internada na Casa de Saúde São Vicente, na Gávea

A professora, pesquisadora, escritora, ensaísta, editora, crítica literária e imortal da Academia Brasileira de Letras., Heloisa Teixeira, morreu nesta sexta (28/03), aos 85 anos, depois de uma pneumonia e insuficiência respiratória aguda, na Clínica São Vicente, na Gávea.
Professora da Escola de Comunicação da UFRJ, Heloisa tomou posse na ABL em 2023. Pouco antes ela tinha tirado o sobrenome Buarque de Hollanda – do primeiro marido, o advogado e galerista Luiz Buarque de Hollanda – e passou a adotar o Teixeira, de origem materna. Lançou vários livros e organizou outras dezenas, mas foi em 2024 que decidiu assinar “Rebeldes e Marginais: Cultura nos Anos de Chumbo (1960-1970)” com o novo nome. Tratava qualquer assunto sem rigidez, com leveza, ainda que fosse o mais pesado do mundo. Na noite de autógrafos, há um ano, formou-se uma fila de imortais na Travessa do Leblon.
Heloisa, sim, uma mulher à frente do seu tempo, sempre foi uma das principais vozes do feminismo, com carinho especial pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC-Letras/UFRJ), onde coordenava o Laboratório de Tecnologias Sociais, do projeto Universidade das Quebradas, e o Fórum M, espaço para o debate sobre a questão da mulher na universidade.
“A perda de Heloísa é pesada e dói e ainda fragiliza o meu lugar na fila de espera. Durante décadas, acumulamos amizade, afinidades, projetos e trabalhos, um acúmulo raro e praticamente anônimo que fala de uma maneira intensa, profunda e silenciosa, como se fosse parte de uma formação sentimental e intelectual que nunca se completa, porque nada se esgota nessa experiência tão absurda que é a da vida que mistura vontades, sentimentos e saber”, diz à coluna o escritor Silviano Santiago, seu grande amigo.
Nota em atualização.