Sete perguntas para Sérgio Marone: “Ser ecossexual é consciência”
Dez anos fora da TV, o ator está de volta para mais uma novela bíblica como vilão
A gente pode até pensar em qualquer apetite estético ao olhar Sérgio Marone, aí é assunto particular (risos!), mas para ele “sem conteúdo, você vira apenas uma moldura bonita.” Dez anos fora da TV, o ator está de volta à Record e, mais uma vez, como vilão. Em Amor em Ruínas, que começa a gravar ainda este mês, ele é Amit, um antagonista, depois do sucesso do personagem Ramsés, de Os Dez Mandamentos.
Enquanto isso Marone produziu cinema, fez teatro, apresentou reality e comandou programas ao vivo, além de ter lançado seu primeiro livro, no ano passado, Como ser [super] incrível, um e-book com reflexões e exercícios práticos, com a ideia de mostrar que ser “super incrível” não está na perfeição ou em grandes conquistas, mas na autenticidade, coragem e generosidade. Há mais de 10 anos o artista não usa carro, mas bicicleta elétrica.
E como beleza põe mesa, ele também é fundador da Tukano, loja de cosméticos naturais, veganos e sustentáveis. Em 2023 o ator viralizou quando disse ser ecossexual – não é fetiche sexual ou uma atração física por plantas, mas uma conexão emocional e tesão por pessoas que compartilham o mesmo cuidado com o planeta – funcionou e rendeu algumas cantadas ecológicas, com comentários de fãs brincando que iam “começar a reciclar o lixo para ter uma chance”.
1 – Beleza põe mesa? Como você lida com a objetificação que, convenhamos, você mesmo administra com inteligência?
Beleza abre portas, mas não sustenta uma carreira. Ela chama atenção — e o que você faz com essa atenção é o que define tudo. O lado bom é óbvio: visibilidade, convites, alcance. O lado ruim é virar apenas uma moldura bonita se não houver conteúdo e competência. Sobre a objetificação, eu encaro com humor e consciência. O corpo faz parte da narrativa — nunca fingi que não existe. Mas faço questão de lembrar que ele vem acompanhado de repertório, escolhas e posicionamento. A aparência chama atenção; é a cabeça que constrói lealdade.
2 – Com dois milhões de seguidores e uma rotina intensa, sobra espaço para o amor ou a liberdade virou sua melhor companheira?
Não acredito nessa coisa de “falta de tempo”. Tempo a gente arruma. E, se não for muito, que seja de qualidade. A maturidade me ensinou a escolher relações que caminham junto com minha liberdade, não contra ela. Se preciso me diminuir pra caber, não é pra mim. Se for pra viver junto, que seja pra somar silêncio bom, riso fácil e verdade. O resto é barulho.
3 – O personagem Amit veio para exorcizar Ramsés?
Ramsés nunca será um fantasma, é um marco. Um personagem que me atravessou e emocionou o mundo todo. O problema não é ser lembrado por um grande papel. O problema é não ter outros. Amit não vem pra apagar nada — vem pra somar e mostrar que eu posso ser muitos, e todos diferentes.
4 – O que mudou em nove anos?
Fiquei menos reativo e mais seletivo. Menos disponível pra tudo, mais comprometido com o que faz sentido. Escolho melhor meus silêncios, meus projetos e minhas batalhas. Aprendi que dizer “não” também é amor próprio.
5 – Em tempos de radicalização, como é antagonizar numa série bíblica sendo uma figura tão exposta?
Eu acredito na inteligência do público. Meu trabalho é contar histórias, não doutrinar. Não me interessa afrontar a espiritualidade, mas ampliar o olhar.
6 – Quando você se declarou ecossexual, muita gente simplificou….
Não é rótulo, é consciência. É entender que somos natureza. É ter prazer em um banho de mar, numa cachoeira, numa brisa no rosto. Isso impacta escolhas práticas: menos excesso, mais intenção. Ter responsabilidade ambiental é gesto de amor próprio. Não é o planeta que precisa ser salvo — é o nosso futuro nele.
7 – O que mais teme perder: relevância, coerência ou liberdade? E do que você não abre mão?
Relevância passa. Liberdade se reconstrói. Mas perder a coerência é abrir mão da integridade. Prefiro perder espaço do que perder sentido. Não abro mão da minha integridade.





