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Patricia Lins e Silva

Por Patrícia Lins e Silva, pedagoga Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Educação

Violência juvenil: responsabilidades que evitamos.

A responsabilidade pelas ações dos jovens recai também sobre os adultos e as instituições responsáveis pelo seu desenvolvimento.

Por Patricia Lins e Silva Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
4 fev 2026, 10h50 •
Adolescente sentada no chão leva a mão à cabeça, angustiada.
 (Shutterstock/Reprodução)
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  • Ninguém nasce criminoso. As circunstâncias moldam comportamentos e podem favorecer atitudes bondosas, altruístas, cruéis ou violentas. Existem determinações genéticas, sim, mas hoje se reconhece cada vez mais o papel da epigenética: o ambiente em que cada pessoa cresce e se desenvolve influencia diretamente a forma como os genes se manifestam.

    Somos uma espécie social. Aprendemos com os outros a linguagem, os costumes e os modos de agir. Por isso, o comportamento de jovens não pode ser analisado apenas a partir de suas ações individuais. É preciso considerar o conjunto de condições familiares, educacionais e institucionais em que se formam. A responsabilidade por seus atos não é exclusivamente pessoal: recai também sobre os adultos, as instituições educacionais e o próprio Estado, que têm o dever de cuidar da formação das crianças até a maioridade.

    O episódio recente de violência praticada por jovens que maltrataram e mataram um cachorro não pode ser tratado como desvio isolado nem como “uma brincadeira que saiu do controle”. Torturar um cão até a morte mostra uma falta total de empatia, uma indiferença espantosa diante do sofrimento do outro, o que revela distorção moral grave. Impõe-se a pergunta: quem cuidou desses meninos? Suas ações expõem sintomas de uma falha na sua formação, falha que atravessa famílias, escolas e políticas públicas.

    Os crimes cometidos por adolescentes costumam reacender o debate sobre a redução da maioridade penal. Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente preveja com sabedoria a responsabilização, medidas socioeducativas e acompanhamento especializado, insiste-se em apresentar o encarceramento precoce como solução.

    Não é. Prender adolescentes não previne a violência, não repara danos e nem educa. Ao contrário, antecipa trajetórias de exclusão e transfere ao sistema prisional um fracasso iniciado muito antes: na omissão dos adultos, na fragilidade das políticas educacionais e na descontinuidade das políticas de proteção à infância.

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    Enquanto se investe energia política em punição, negligenciam-se a educação integral, a formação de educadores e o fortalecimento das medidas socioeducativas previstas em lei. 

    A sociedade deve apostar na possibilidade de transformação dos jovens, o que exige processos estruturados e de longo prazo, que demandam muito trabalho, tanto de todos os responsáveis quanto dos infratores. É fundamental que o jovem entenda as consequências de seus atos e compreenda sua responsabilidade por eles, o que precisa ser feito com o apoio de profissionais especializados. O acompanhamento de equipes multiprofissionais é indispensável para que haja reflexão efetiva do adolescente sobre o significado da reparação e como pratica-la. É um longo e árduo processo para que haja realmente mudança no modo de ver o mundo e na forma de agir. 

    A justiça não deve ser apenas punitiva, mas reparativa: voltada para a responsabilização real e para a reconstrução de vínculos rompidos. Jovens podem mudar — mas precisam ser reeducados. Para tanto, tem que receber a educação especializada necessária.

    Formar jovens empáticos e responsáveis não é uma escolha moral abstrata; é uma decisão política urgente.

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