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Artistas contemporâneos dão nova vida a discos esquecidos em Os ímpares

Xande de Pilares, Roberta Sá, BNegão e Jota.pe revisitam obras de nomes como Antonio Carlos e Jocafi, Dona Ivone Lara e Sonia Santos em estreia do Curta!

Por Natália Boere
11 jul 2025, 06h00 • Atualizado em 27 out 2025, 15h30
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Xande de Pilares fez releitura de obra de Sonia Santos na nova temporada de "Os ímpares", do canal Curta! (Pedro Landeiro/Divulgação)
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  • O ano era 1971, e a bossa nova servia de inspiração para a maioria dos compositores, mas a dupla baiana radicada no Rio Antonio Carlos e Jocafi deu uma guinada em direção à “música de coração partido”. Assim nasceu Você Abusou, uma das canções mais regravadas da música brasileira, com versões nas vozes de Maysa (1936-1977), Daniela Mercury e até mesmo Stevie Wonder, que orquestrou um coro de 100 000 vozes no Rock in Rio 2011.

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    “Naquela época, era tudo meio ‘barquinho’, sabe? Quis fazer algo diferente”, conta Antonio Carlos, que à esta altura surpreendeu até mesmo o parceiro. Jocafi havia criado a melodia imaginando uma letra frugal. Resgatar histórias como essa, dando cara nova a obras que não necessariamente atravessaram gerações, é o propósito de Os Ímpares, cuja segunda temporada acaba de estrear no canal Curta!, na Amazon Prime Video e na Claro TV, com produção da Das Minas. “Agora me sinto imortal”, afirma Jocafi. Você Abusou foi regravado pelo paulista Jota.pê e a faixa Deus O Salve, também do disco de 1971, ganhou releitura de BNegão. “É uma felicidade homenagear os reis do suíngue”, celebra um dos vocalistas do Planet Hemp.

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    BNegão recebeu visita surpresa de Antonio Carlos e Jocafi durante as gravações (Pedro Landeiro/Divulgação)

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    A curadoria do projeto é ousada: engloba faixas de dez discos gravados entre as décadas de 1960 e 1980, desencorajados pela indústria musical da época e que, hoje, revelam-se visionários. Xande de Pilares revisitou O Bom Malandro, do álbum Crioula (1977), de Sonia Santos, cantora que se mudou para os Estados Unidos nos anos 1970. “Eu não a conhecia, mas fiquei encantado, já está na minha playlist. Outro ponto importante é a representatividade. O machismo na música tem que acabar”, defende um dos compositores de Tá Escrito.

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    Roberta Sá regravou Dona Ivone Lara com uma banda só de mulheres (Pedro Landeiro/Divulgação)
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    Trazer mulheres era uma preocupação dos diretores Isis Mello e Henrique Alqualo. “Antigamente, elas tinham ainda menos oportunidades, quisemos amplificar essas vozes”, afirma Isis. Roberta Sá emprestou seu timbre a Alguém me avisou, do LP Sorriso Negro (1981), de Dona Ivone Lara, primeira mulher a assinar um samba-enredo. “Desde o começo da carreira toco com mulheres e, para essa gravação, fui acompanhada por uma banda 100% feminina”, comemora a potiguar.

     

    Além de desvendar bastidores — nesta temporada também há Otto e Leoni regravando Odair José, Nina Becker e Juliana Linhares dando voz a Rita Lee, e Clara Buarque revivendo Sueli Costa —, o programa disseca o processo criativo por trás das regravações. “Parece meio mágico para quem ouve, mas existe toda uma empreitada por trás. Refazer um arranjo não é fácil”, destaca Alqualo.

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    Os Ímpares: O diretor Henrique Alqualo, a produtora Veruschka Bauerle, a diretora Isis Mello, a produtora Susana Campos e o diretor musical Felipe Pinaud (Pedro Landeiro/Divulgação)

    Outro personagem importante é o estúdio onde a série foi filmada, a Companhia dos Técnicos, em Copacabana, antiga casa da lendária gravadora RCA (que virou BMG e hoje é a Sony Music). O local, aliás, foi construído para que Antonio Carlos e Jocafi gravassem seu terceiro disco, em 1973, com o mesmo piano que segue por lá.

    Obras de grandes nomes da música brasileira, como Tom Jobim, João Gilberto, João Bosco e Nana Caymmi ganharam vida naquele endereço, o mesmo escolhido por Nando Reis para gravar seu primeiro disco solo, 12 de janeiro, de 1995. “É um estúdio que tem história, você anda nos corredores onde pessoas imensas da música brasileira passaram. É muito significativo para mim”, resume Nando. 

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    Capa do primeiro disco solo de Nando Reis, 12 de janeiro, gravado na Companhia dos Técnicos (./Reprodução)

    O diretor musical Felipe Pinaud explica que tudo foi pensado para apresentar as músicas e os artistas da melhor forma para quem ainda não os conhece. “Além de promover encontros de gerações, queremos que a produção seja um instrumento de descoberta para os jovens”, define. É sempre tempo de desbravar o poderoso baú musical da MPB.

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    Lado B: Histórias por trás dos discos revisitados (Editoria de Arte/Veja Rio)
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