Assédio moral: ator Juliano Cazarré é processado por ex-funcionária
Ela relata ter sido impedida de buscar por atendimento médico imediato, além de citar trabalho de 14 horas e parte do salário paga sem registro na carteira
Como noticiou a coluna de Daniel Nascimento, do jornal O Dia, com exclusividade, o ator Juliano Cazarré virou alvo de uma ação trabalhista movida por uma ex-funcionária que teria sido empregada doméstica e babá dos seis filhos do artista em sua residência, na Zona Sudoeste da cidade.
O processo teria sido registrado em 15 de junho e com o pedido de uma indenização estimada em R$ 225.686,20.
Na ação, a trabalhadora relata uma rotina considerada exaustiva, com jornadas que chegariam a até 14 horas por dia.
Segundo os autos, o expediente ocorria de segunda a quinta, com início às 8h e término por volta das 20h de quinta, incluindo pernoites obrigatórios e acionamentos de madrugada para cuidar das crianças.
De acordo com a ex-funcionária, não havia controle de ponto, nem a devida remuneração pelas horas extras.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
Ela compartilha que acumulava funções para além do cuidado das crianças, sendo responsável por tarefas domésticas como limpar a casa, lavar roupas e organizar o ambiente de forma geral.
O processo também alega pagamento de parte do salário “por fora”. A autora afirma que recebia cerca de R$ 5.500 mensais, mas que apenas uma parcela, entre R$ 2.500 e R$ 2.800, era registrada em carteira. Segundo ela, o restante seria pago de maneira informal, o que impactaria diretamente no cálculo de benefícios trabalhistas
A petição menciona uma suposta troca de mensagens atribuídas à esposa do ator, que teria indicado a orientação para fracionamento salarial com o objetivo de diminuir encargos.
Em um dos trechos, Leticia Cazarré teria escrito: “Minha contadora sugere colocarmos R$ 2.500 na carteira e R$ 3.000 livre, me complica um pouco na hora de calcular férias, mas eu vejo quando ela chegar”.
Em outra passagem, Leticia teria proposto mudar a rotina de trabalho da funcionária: “Você poderia fazer um teste na semana que vem?”. Logo em seguida, ela teria emendado o pedido para que a trabalhadora ficasse “dormindo a semana toda” na residência.
A ex-funcionária declara que o ambiente de trabalho era marcado por episódios de assédio moral.
De acordo com a ação, a saúde da trabalhadora teria sido afetada com o passar do tempo, pelo esgotamento físico e emocional da rotina, passando a sofrer com um mal-estar frequente e picos de pressão alta causados pelo estresse.
Um dos relatos descreve uma situação em que ela teria sido impedida de buscar atendimento médico imediato, mesmo com uma suposta reação alérgica visível, sendo orientada a permanecer em serviço.
No processo, a trabalhadora também solicita o reconhecimento de vínculo em condições adequadas, o pagamento de horas extras, adicional noturno, diferenças salariais do valor pago “por fora”, além de direitos como férias, 13º salário, FGTS com multa, aviso prévio e indenização por danos morais, entre outros que ela afirma não terem sido quitados de forma correta.
O processo aponta que a demissão, ocorrida em março deste ano, teria sido motivada após a funcionária cobrar o pagamento correto das horas extras e demais direitos trabalhistas de maneira repetida.
O imbróglio vem à tona dois dias após o ator ser homenageado com a Medalha Tiradentes pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
A honraria foi concedida como um reconhecimento de seu posicionamento público, em defesa de valores conservadores, com opiniões alinhadas à valorização da família e à liberdade religiosa.





