Fenômeno entre a geração Z, Djavan completa 50 anos de carreira com frescor

"O lugar que eu ocupo hoje foi conquistado com muito sofrimento, mas com força e determinação”, diz o cantor em entrevista a VEJA RIO

Por Kamille Viola 24 jul 2026, 05h48 | Atualizado em 25 jul 2026, 12h24
Homem negro sorridente, de chapéu preto e dreadlocks, canta no microfone com os braços abertos, vestindo blusa laranja e calça vinho, em palco escuro iluminado por luzes brancas
Djavan: os três shows cariocas da turnê em que celebra 50 anos estão com ingressos esgotados (Pridia/Divulgação)
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Fascinado pelas curvas das paisagens naturais desde que aqui chegou, aos 25 anos, para tentar a sorte na música, Djavan homenageou o Rio na canção Delírio dos Mortais, de 2007.

“Com esse poder outra cidade não há. Não consigo pensar em duas. É muito fácil sentir a mão de Deus em tudo”, compôs o alagoano.

Nos dias 1º, 2 e 8 de agosto a turnê comemorativa Djavanear 50 anos. Só Sucessos enfim aporta na Farmasi Arena, na Barra. Os ingressos estão esgotados.

“O Rio é um lugar que me inspira, porque a beleza é explícita. Você não precisa buscá-la. É muito bom viver onde tudo é tão exuberante como é aqui”, declara-se.

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O cantor e compositor de 77 anos é casado há 29 com a empresária Rafaella Brunini e pai de cinco filhos — dois do casamento atual e três do anterior, com Maria Aparecida —, e tenta curtir as maravilhas da capital fluminense na medida do possível.

“Tenho uma movimentação um pouco cerceada, por ser uma pessoa conhecida. Mas não deixo de fazer as coisas, não”, garante ele, que gosta de frequentar restaurantes.

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Rafaella, por sinal, é sócia da loja de chocolates finos Envidia, no Leblon.

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A turnê coroa uma verdadeira “djavanmania” entre os jovens.

No Spotify, 47% da audiência do artista é formada por pessoas entre 18 e 29 anos — são 5,9 milhões de ou vintes mensais e, entre janeiro e junho, as reproduções na plataforma cresceram 48% na comparação com o mesmo período de 2025 no Brasil.

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Já no app TikTok, Um Amor Puro virou trend: aparece em mais de 100 000 publicações, enquanto a hashtag #djavan foi citada mais de 81 000 vezes.

A blusa verde-amarela estampada com o rosto do alagoano foi um dos hits da Copa – o pagodeiro Ferrugem surgiu com ela no palco.

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A festa Djavaneio, criada pelo DJ Nyack em fevereiro deste ano, fez um enorme sucesso em duas edições cariocas e passou por Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza, Brasília e até Nova York.

Para o DJ, um dos segredos do sucesso do homenageado é flertar com diversos gêneros sem perder a identidade. “Admiro a facilidade que ele tem para falar de amor de forma que todo mundo entenda”, resume Nyack.

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Nas carrapetas: o DJ Nyack criou a festa Djavaneando, só com músicas do ídolo, em fevereiro, e já fez todo mundo dançar até em Nova York (Gui Silva/Divulgação)

Djavan observa que o interesse dos jovens por sua obra sempre existiu mas, ultimamente, tem sido “muito, muito grande mesmo”.

“Todos os eventos que têm acontecido envolvendo meu nome denotam que eu ‘tô na pista”, diverte-se. “É uma coisa maravilhosa, o pagamento por uma vida dedicada à música”, comemora.

Em um país no qual muitas vezes os talentos negros não recebem o devido reconhecimento, Djavan é um exemplo de representatividade, sendo um dos nomes da música brasileira mais respeitados por aqui e no mundo.

“A gente sabe que a sociedade foi moldada pelo branco e para o branco. Para conseguir espaço, o negro tem de brigar mais que todo mundo. Ele tem que arrombar as portas”, enfatiza o cantor e compositor.

Fiz isso a minha vida inteira, e o público preto sabe que a minha luta não foi pequena. O lugar que eu ocupo hoje foi conquistado com muito sofrimento, mas com força e determinação”, pondera, ciente de sua responsabilidade.

Não à toa, Djavan é uma grande inspiração para a nova geração.

“Se ele não existisse, talvez eu não fosse músico”, reflete Jota.pê, 33, que recriou Açaí no tributo Canto Djavan, lançado no ano passado, reunindo expoentes como Jonathan Ferr e Melly.

Jota.pe Crédito foto_ Clara Lobo (1).JPEG
Jota.pê: “Eu não seria músico se Djavan não existisse” (Clara Lobo/Divulgação)

O rapper BK, 37, é outro aficionado pelo estilo inconfundível do ídolo. Tanto que utilizou um sampler da música Esquinas para criar a faixa Só Eu Sei, de 2025.

“O trabalho dele me acompanha desde criança. Em todos os momentos da minha vida tem Djavan”, diz. “O que mais admiro é como cada música consegue levar a gente para um universo criado por ele.”

Homem negro com dreads presos para cima, barba e bigode, veste casaco escuro e olha fixamente. Ele exibe anéis dourados nas mãos abertas, em fundo azul
BK: rapper ressalta a capacidade do alagoano transportar os fãs para diferentes universos (Wallace Domingues/Divulgação)

A turnê estreou em maio, em São Paulo, e já passou por cinco capitais, transformando estádios em gigantescos karaokês.

As 27 faixas do repertório passeiam por hits como Sina, Oceano e Se.

“Essa conexão com a plateia envolve realmente muito amor”, celebra.

Com direção artística de Gringo Cardia, o show conta com projeções de obras de Candido Portinari, Vik Muniz, Véio e Meia, além de fotos de Walter Firmo.

“É uma espécie de exposição para 50 000 pessoas”, analisa Djavan, apaixonado por arte contemporânea.

Também entusiasta da arquitetura, ele se aventura nessa seara — em parceria com o engenheiro responsável, fez o projeto do sítio que a família mantém há 27 anos em Araras, na Serra.

As cinco décadas de carreira do músico contam ainda com o lançamento do livro não-autorizado Djavan: Dizem Que o Amor Atrai — A Biografia-Reportagem, de Tiago Ramos e Mattos (ed. Trend), com previsão de chegar às livrarias em agosto.

O cantor adianta que vem por aí também um documentário, ainda em estágio embrionário, e que seu próximo espetáculo será dedicado às canções menos conhecidas.

“É um lado B que já não é tão lado B, porque tenho uma obra muito visitada”, observa, aos risos.

Admirado por gente de todas as gerações, classes sociais, raças e religiões, ele pensa no futuro com empolgação.

“Estou feliz e motivado para os anos que vão vir.” ”Ótima notícia para os djafãs   

Oceano de sucesso 

Os números da turnê e do artista na internet 

300 000 ingressos vendidos até agora 

3 000 pessoas envolvidas 

23 cidades do Brasil, América Latina e Europa 

47% da audiência no Spotify é formada por pessoas de 18 a 29 anos 

5,9 milhões de ouvintes mensais na plataforma de streaming

100 000 vídeos no TikTok têm Um Amor Puro de fundo 

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