No shape! Tico Santa Cruz perdeu 20 quilos e mostrou no Rock in Rio
Vocalista do Detonautas colhe frutos de uma rotina de treinos intensa como triatleta
Depois de subir ao palco Sunset do Rock in Rio com o Detonautas nesta sexta (4), Tico Santa Cruz não deve ter seguido exatamente o roteiro clássico de uma noite de rock. Aos 48 anos, o cantor, que colocou uma multidão para pular ao som de sucessos como “Quando o sol se for” e “Outro lugar” e dividiu o palco com o Biquini, trocou parte da boemia por uma rotina de treinos que começa cedo.
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E não é força de expressão. No último dia 9 de agosto, Tico encarou seu primeiro Ironman 70.3, no Rio, e cruzou a linha de chegada depois de cumprir 1,9 quilômetro de natação, 90 quilômetros de bicicleta e 21,1 quilômetros de corrida. “Minha passagem pela linha de chegada foi um momento incrível. Fiquei muito, muito feliz. Agora já posso dizer que sou triatleta”, postou Tico em suas redes.
A relação com o esporte, porém, vem de longe. Na infância, jogou futebol e chegou a atuar por um clube do Rio nos Estados Unidos. Também praticou hipismo até os 14 anos, foi vice-campeão brasileiro e conquistou três títulos cariocas na adolescência. Depois, vieram surfe, skate, musculação, boxe e jiu-jítsu. Aos 22 anos, chegou a cursar Educação Física, mas deixou a faculdade quando o Detonautas começou a ganhar projeção.
O corpo, no entanto, cobrou a conta. Em 2018, Tico teve uma hérnia de disco e passou a conviver com fortes dores na coluna. Durante a pandemia, depois de uma covid longa, perdeu capacidade aeróbica e começou a sentir um cansaço que dificultava até atividades que antes faziam parte de sua rotina.
A partir de 2022, também ganhou peso. A ansiedade aumentou, a alimentação virou uma válvula de escape e o álcool, que fazia parte da rotina dos shows, começou a incomodar. Em 2023, às vésperas da gravação de um projeto acústico do Detonautas, estava com 98 quilos.
Com acompanhamento médico, chegou a usar Ozempic durante cerca de três meses e perdeu 14 quilos, mas também massa muscular. Depois, recuperou o peso. Foi quando percebeu que precisava mudar não apenas a balança, mas os hábitos.
“Eu estava me movimentando mal no palco, não conseguia fazer show como fazia antes. Estava me sentindo mal e fisicamente indisposto”, contou Tico à VEJA RIO.
No fim de 2023, retomou os exercícios de forma gradual, combinando musculação, caminhada e corrida. Também começou a fazer psicanálise e reduziu drasticamente o consumo de álcool e o uso das redes sociais. Na alimentação, cortou doces e passou a evitar frituras.
Em 2024, voltou a competir em uma corrida de rua e se lembrou do prazer que sentia com o esporte. Já morando no Leblon, começou a nadar no mar, no Posto 6. Em abril de 2025, fez seus primeiros treinos no oceano e, meses depois, começou a participar de provas de natação.
O triatlo apareceu quase por acaso. A princípio, a ideia era fazer uma prova sprint, com 750 metros de natação, 20 quilômetros de bicicleta e 5 quilômetros de corrida. O projeto cresceu e chegou ao Ironman 70.3.
Hoje, Tico treina praticamente todos os dias e costuma combinar duas modalidades no mesmo dia. Em treinos mais pesados, chega a nadar 6,5 quilômetros, pedalar 90 quilômetros e correr 18 quilômetros. A rotina também mudou completamente: ele costuma dormir por volta das 22h e acordar cedo para treinar. Até quando há show na véspera de uma competição, a prioridade é a mesma: terminou o palco, é hotel e cama.
Mais do que os 20 quilos a menos, Tico diz que o processo trouxe uma nova relação com o próprio corpo. “Aprendi muito sobre meu corpo, minha cabeça, fisiologia, biomecânica. Foi uma faculdade prática de algo que sempre me interessou.”
Agora, depois de completar o primeiro Ironman, ele já pensa em repetir a dose. “Foi uma experiência única. Pretendo fazer várias outras provas.”







