Após acidente, moradores relatam aumento no tráfego de helicópteros no Rio
Recreio, onde aeronaves colidiram neste domingo (14), concentra aeroportos e helipontos; estado registrou alta de 18% em pousos e decolagens desde 2023
A colisão de dois helicópteros, que matou seis pessoas neste domingo (14), chamou a atenção para o aumento da circulação deste tipo de aeronave na região do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste, que concentra aeroportos e helipontos. Incomodados com o barulho e preocupados com os riscos, moradores vêm reclamando do problema. “É o dia inteiro. Não tem horário”, disse ao Bom Dia Rio, da TV Globo a dona de casa Laiane Souza.
Segundo a Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), com base em dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), a movimentação de helicópteros (considerando pousos e decolagens) cresceu 18% em dois anos no estado: de 182 mil operações em 2023 para 215 mil, em 2025. Ainda de acordo com o Bom Dia Rio, a frota de helicópteros também ficou maior. O estado do Rio, que tinha 247 helicópteros em condição de voo em 2023, tem 319 em 2026 — um aumento de 29%, de acordo com a Abag.
Morador do Recreio há 20 anos, o empresário Uelton de Oliveira Braga disse que percebeu uma mudança no padrão das operações. “Aumentou bastante. Antes era mais de manhã, agora é o dia inteiro”, relatou. “Quem mora em prédio alto fica mais apreensivo ainda”. A dentista Scheila Lubb afirmou que moradores chegaram a reclamar do ruído provocado pelas aeronaves. “Eu não conseguia conversar na minha varanda, tal era o barulho”, disse. Segundo ela, as reclamações tiveram efeito. “Houve queixas de vários condomínios aqui da região, e eles começaram a sobrevoar um pouquinho mais alto.”
Especialistas apontam que o aumento da circulação aérea está ligado à grande concentração de estruturas para pouso e decolagem na região. Além do Aeroporto de Jacarepaguá, o entorno do Recreio reúne pelo menos mais quatro helipontos comerciais: o Clube da Aeronáutica, a base da HeliRio, o Clube Céu, em Guaratiba, e o Helicentro de Guaratiba. A Abag informou que o Rio tem atualmente 23 empresas de táxi aéreo certificadas. O estado ocupa a segunda posição nacional tanto em número de empresas quanto em frota, atrás apenas de São Paulo.
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De acordo com a associação, o crescimento da movimentação no estado acompanha uma tendência observada em todo o país. “Ela vem aumentando no Brasil inteiro. No Rio, é puxada principalmente pela operação da extração de petróleo na Bacia de Campos”, afirmou ao telejornal Raul Marinho, diretor técnico da Abag. Ele explicou que os acidentes envolvendo helicópteros são raros e que as operações seguem protocolos rígidos de segurança: Os helicópteros seguem uma espécie de uma avenida virtual que existe no céu, que são as rotas especiais de helicópteros ou os corredores visuais. Algumas têm mão única, outras têm mão e contramão como era o caso”.





