Aluguel por temporada vai ter novas regras no Rio? Entenda

STJ ainda vai definir normas sobre o tema, enquanto condomínios já adotam restrições à locação por períodos mais curtos

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jul 2026, 15h54 | Atualizado em 28 jul 2026, 15h57
Projeto Olho Verde
Botafogo: bairro é um dos que tiveram os reajustes mais altos nos aluguéis: 21,9% em 12 meses (Pedro Kirilos/Riotur)
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A locação de apartamentos por temporada tem gerado polêmica entre moradores, síndicos e investidores de condomínios residenciais do Rio de Janeiro. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisa casos que podem mudar a jurisprudência sobre o tema e definir novas regras para esse tipo de locação em condomínios. Em reportagem publicada pelo g1, a síndica Nazaré Darbra, responsável pela administração de um condomínio residencial no Leblon, afirmou que a discussão levou o prédio a criar novas regras para esse tipo de aluguel. “Isso gerou uma insegurança muito grande nos moradores. Porque você passa a ter uma rotatividade de entrada de pessoas que você não sabe de onde vem, quem são. Uns são muito educados, outros não. E começaram a ter então as reclamações. Levamos para a assembleia, e 98% dos moradores votaram contra o aluguel por temporada”, contou.

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Aluguel por temporada: STJ analisa casos que podem mudar a jurisprudência sobre o tema (Internet/Reprodução)

Em maio, ao julgar um caso envolvendo um condomínio em Minas Gerais, o STJ decidiu que a locação de imóveis por curta temporada em condomínios residenciais deve ser aprovada em assembleia por pelo menos dois terços dos condôminos. Embora não tenha efeito vinculante, a decisão passou a servir de precedente para processos semelhantes.

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No mês seguinte, a Corte suspendeu a tramitação de todas as ações sobre o tema até que os ministros fixem uma tese vinculante, que deverá consolidar o entendimento da Justiça sobre a locação por temporada em condomínios de todo o país.

Presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), Marcelo Borges observa que o cenário ainda é de incerteza jurídica, mas as decisões mais recentes têm favorecido os condomínios que defendem restrições à modalidade. “No momento vive-se um limbo. Mas hoje realmente reconhecidamente o vento sopra a favor dos condomínios que querem proibir, os condomínios residenciais que querem proibir em razão das decisões mais recentes”, afirmou.

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Quem busca um imóvel para alugar no Rio de Janeiro tem encontrado um mercado cada vez mais competitivo. Entre 2023 e 2026, a oferta de imóveis para locação tradicional caiu 31,8%, segundo levantamento do instituto de pesquisas e estatísticas do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis, o Data Secovi.  A redução da oferta, somada ao avanço das locações por temporada e aos juros elevados, que dificultam a compra da casa própria, têm pressionado os preços dos aluguéis em praticamente toda a cidade.

Os dados mostram que o Leblon continua com o metro quadrado de aluguel mais caro da capital. Já o Centro foi o bairro que registrou a maior valorização dos aluguéis nos últimos 12 meses.

Os 10 bairros mais caros para alugar

Bairro Valor do m²
Leblon R$ 129,10
Ipanema R$ 124,97
Lagoa R$ 89,64
Jardim Botânico R$ 82,20
Barra da Tijuca R$ 82,06
Gávea R$ 79,60
Copacabana R$ 77,04
Botafogo R$ 76,36
Flamengo R$ 62,79
Centro R$ 58,15

Fonte: Data Secovi

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Prédios do Centro da Cidade, no Porto Maravilha
Especulação imobiliária:O Centro da cidade foi a região mais valorizada quando o assunto é aluguel, segundo a Secovi (Marcos Ramos/Agência O Globo)

Na comparação dos últimos 12 meses, o Centro teve a maior valorização do aluguel: 34,9%. Na sequência aparecem Jardim Botânico, Lagoa e Botafogo. Seis dos dez bairros com maior alta ficam na Zona Sul. Vila Isabel, Barra da Tijuca e Taquara também aparecem entre os destaques.

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Bairro Alta em 12 meses
Centro 34,9%
Jardim Botânico 31,7%
Lagoa 26,1%
Botafogo 21,9%
Vila Isabel 18,5%
Copacabana 17,9%
Ipanema 15,4%
Barra da Tijuca 13,6%
Taquara 12,8%
Flamengo 12,3%

Fonte: Data Secovi

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Enquanto os aluguéis aceleraram, os imóveis para compra registraram alta mais moderada. Apenas cinco bairros tiveram valorização acima da inflação oficial (IPCA de 4,64%) no período analisado.

Onde houve valorização na venda

Bairro Alta em 12 meses
Centro 6,9%
Laranjeiras 6,4%
Copacabana 5,9%
Flamengo 5,6%
Leblon 5,2%
Gávea 4,2%
Barra Olímpica 3,9%
Botafogo 3,8%
Barra da Tijuca 3,5%
Jardim Botânico 2,9%

Fonte: Data Secovi

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Os bairros mais caros para comprar um imóvel

Na venda, o Leblon também lidera o ranking. O metro quadrado supera 26 000 reais, o maior valor do Rio e um dos mais altos do país.

Bairro Valor do m²
Leblon R$ 26.017
Ipanema R$ 24.596
Gávea R$ 17.358
Lagoa R$ 16.936
Jardim Botânico R$ 15.508
Barra da Tijuca R$ 14.689
Botafogo R$ 13.318
Copacabana R$ 12.364
Flamengo R$ 11.701
Laranjeiras R$ 10.668

Fonte: Data Secovi

Aluguel disparou mais do que a venda

No acumulado dos últimos três anos, os aluguéis avançaram 38,09%, enquanto os preços de venda dos imóveis subiram 11,34%, segundo o índice FipeZAP. A diferença ajuda a explicar por que encontrar um imóvel para alugar ficou mais caro mesmo com a valorização mais lenta dos imóveis à venda.

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