Fraude nas Lojas Americanas: Justiça manda bloquear 54 bilhões de reais

Nesta quinta (25), a Polícia Federal e o Ministério Público Federal iniciaram a 2ª fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude bilionária nas Americanas

Por Pedro Coutinho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 jun 2026, 13h11
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Lojas Americanas: prejuízo pode chegar a 54 bilhões de reais. (Tânia Rego/Agência Brasil)
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A Polícia Federal (PF) iniciou nesta quinta-feira (25), com apoio do Ministério Público Federal (MPF), a 2ª fase da Operação Disclosure, que investiga a fraude bilionária nas Lojas Americanas.

O prejuízo agora pode alcançar 54 bilhões de reais, de acordo com os laudos técnicos periciais.

Os agentes saíram para cumprir nove mandados de busca e apreensão no Rio e em São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores em nome dos envolvidos de 54 bilhões de rais.

Desta vez, a força-tarefa busca apurar se acionistas das Americanas e representantes de bancos privados também participaram do esquema.

Entre os alvos estão os acionistas Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Paulo Alberto Lemann, além de Eduardo Saggioro Garcia, apontado como operador direto dos sócios. Também são alvo da operação executivos ligados a instituições financeiras. Veja todos os alvos no blog de Camila Bomfim.

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Paulo Alberto Lemann, acionista das Americanas e um dos alvos, é filho de Jorge Paulo Lemann, economista e empresário que não é alvo da operação desta quinta.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal acusam ex-executivos da companhia de montar um esquema para inflar artificialmente os lucros e o caixa da empresa, ocultando dívidas e manipulando balanços para valorizar as ações negociadas na Bolsa.

De acordo com a investigação, os envolvidos recebiam bônus milionários atrelados ao desempenho financeiro e lucravam com a venda de papéis valorizados artificialmente.

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“Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico”, afirmou a PF ao g1.

“As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa”, emendou.

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A fraude contábil das Americanas veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a companhia informou ter identificado inconsistências em lançamentos contábeis que, inicialmente, somavam cerca de R$ 20 bilhões — o que levou a empresa a pedir recuperação judicial.

Os acionistas soltaram uma nota dizendo que “foram surpreendidos pela operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira, 25.”

Segundo eles, “as investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal ao longo dos últimos anos, inclusive com base em acordos de colaboração premiada, indicam que o Conselho de Administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da Companhia.”

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“Os acionistas de referência entendem que a operação integra o curso regular das apurações em andamento e reiteram seu compromisso de colaborar plenamente com as autoridades competentes para o esclarecimento dos fatos, como vêm fazendo desde 11 de janeiro de 2023, quando tiveram conhecimento das fraudes contábeis”, complementa a nota.

“Até o momento, as defesas não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou a medida, razão pela qual aguardam mais informações para eventual manifestação complementar”, finaliza o texto.

Em nota, a Americanas afirma que “que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a Operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos.”

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