Bastidores da arte: mostra revela processo de criação de obras de Portinari no Capanema

Onze estudos e desenhos de transferência, usados como base para pinturas maiores, ajudam a entender painéis como Ciclos Econômicos Brasileiros

Por Paula Autran 16 out 2026, 06h01 | Atualizado em 19 out 2026, 18h44
Três quadros emoldurados, com desenhos em tons de sépia, expostos em frente a um mural colorido que retrata cenas de trabalho rural. O quadro da esquerda mostra duas cabeças masculinas e um elemento abstrato acima. O do centro exibe um boi de frente. O da direita, pés descalços. O mural ao fundo tem figuras humanas em tons de azul, branco e marrom, com detalhes em verde
Ciclos Econômicos Brasileiros: dos rascunhos à arte final (Fernando Costa/Divulgação)
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Onze estudos e desenhos de transferência, usados como base para pinturas maiores, ajudam a entender os painéis de Candido Portinari no Palácio Capanema — que contribuem com a fama de ícone do modernismo do prédio. Eles podem ser vistos in loco em Portinari e o Brasil Moderno, mostra realizada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio, em parceria com a galeria Danielian e o Ministério da Cultura, e que fica em cartaz até 12 de novembro. 

ProlifEração dE corridaS.

Portinari: contribuições para a fama de ícone do modernismo do Palácio Capanema“Nosso objetivo foi reunir obras às quais a população não tinha acesso, para revelar esse processo artístico”, explica o curador Rafael Peixoto, que com Marcus Lontra garimpou o conjunto em coleções particulares  para recontar a história dos afrescos monumentais. “Foi um trabalho de arqueologia”, define ele, chamando a atenção para detalhes nos rascunhos das artes finais: “Tem uns que são exatamente iguais e outros que sofreram transformações”. 

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Um dos destaques, Ciclos Econômicos Brasileiros mostra diferentes atividades, da extração do pau-brasil à exploração da carnaúba. “As peças são muito mais sobre os trabalhadores do que sobre as culturas extrativistas”, observa Peixoto, lembrando que o artista, com grande relevo no Estado Novo (1937-1945), era militante do Partido Comunista Brasileiro e defensor das causas sociais. 

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