“Bicha pão com ovo”: Daniel Soranz vai entrar na Justiça contra vereador

Em plenário, Marcelo Diniz - que é do mesmo partido (PSD) - criticou gestão da Saúde do município usando os termos pejorativos contra o ex-secretário

Por Da Redação 11 jun 2026, 11h43
Homem branco de barba e óculos, com cabelo castanho escuro, olhando para baixo com expressão séria. Ao fundo, um logo desfocado com a palavra RIO em branco sobre azul
Daniel Soranz: 'Quem não tem argumentos recorre à agressão e à baixaria' (Tania Rego/Agência Brasil)
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Vão para na Justiça e no Conselho de Ética da Câmara Municipal as declarações consideradas homofóbicas proferidas em plenário pelo vereador Marcelo Diniz (PSD) contra o ex-secretário municipal de Saúde Daniel Soranz, do mesmo partido. Soranz ingressou com representação no Legislativo e anunciou que vai entrar com processos civil e criminal contra o parlamentar que, em discurso em plenário nesta terça (9) chamou o ex-secretário de “bicha pão com ovo”, além de “vagabundo”. Posteriormente, ainda durante a sessão, Diniz pediu desculpas especificamente pela expressão que utilizou.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Soranz afirmou ter sido vítima de um “ataque covarde” e classificou o episódio como um caso de violência política. “Quem não tem argumentos recorre à agressão e à baixaria. Eu seguirei fazendo o meu trabalho, defendendo o SUS e trabalhando por projetos que melhoram a vida da população. Não me intimido com ataques nem me desvio da minha missão”, afirmou o ex-secretário, acusado por Diniz de continuar exercendo influência sobre a Secretaria municipal de Saúde mesmo após deixar o cargo para disputar as eleições deste ano. Os dois são candidatos a deputado federal pelo PSD, e Soranz esteve nesta quarta (10) em comunidades do Itanhangá — como Tijuquinha, Muzema e Morro do Banco —, reduto de Diniz. “Então, secretário, você é um vagabundo, você tá mexendo com a pessoa errada, aqui tem homem, eu sou vereador da cidade e sou homem. Você entrou numa guerra que não vai vencer, nem a própria classe da saúde vota em você, ninguém gosta de você. Bicha pão com ovo”, discursou Diniz.

“Não passam despercebidas a carga intimidatória das expressões ´você está mexendo com a pessoa errada’ e ‘você entrou num guerra que não vai vencer’, reforçadas pela masculinidade que as acompanha. Conquanto a indeterminação do mal anunciado possa suscitar controvérsia quanto à tipificação penal autônoma da ameaça (artigo 147 do Código Penal), o que aqui releva é o propósito manifesto de intimidação somada à ofensa discriminatória, inscrevendo o episódio no campo da violência política” — diz o trecho inicial da representação, reproduzido pelo jornal O Globo. O documento, assim como a nota de retratação e pedido de desculpas divulgado na noite desta quarta (10) por Diniz, serão analisados pela Mesa Diretora da Câmara, que deliberará ou não pelo encaminhamento do assunto para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

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Em nota, Marcelo Diniz diz que suas manifestações ocorreram no contexto de críticas à gestão da saúde pública municipal e à situação enfrentada diariamente pela população que depende dos serviços oferecidos pela rede pública. “O pronunciamento teve como objetivo denunciar problemas recorrentes, como a falta de atendimento adequado, a demora para realização de exames e procedimentos, a escassez de medicamentos e as dificuldades enfrentadas por milhares de cidadãos que aguardam por assistência médica. Em nenhum momento houve a intenção de atacar, ofender ou discriminar qualquer pessoa ou grupo”, afirmou, antes de reconhecer que “em meio à indignação diante do sofrimento da população e ao compromisso de defender os interesses dos moradores do Rio de Janeiro, algumas expressões utilizadas podem ter sido interpretadas de forma diversa daquela pretendida”. Ainda segundo a nota, “por essa razão, ainda durante a própria sessão, solicitou a retirada das expressões questionadas dos registros oficiais, reafirmando que não compactua com qualquer forma de preconceito ou discriminação”. Marcelo Diniz reafirmou manter integralmente suas críticas políticas e administrativas à condução da saúde pública municipal. Mais tarde, o vereador divulgou um novo comunicado, publicado no Instagram, admitindo que usou “expressões totalmente inadequadas e infelizes” e que adotou um tom “desrespeitoso e totalmente incompatível com o padrão de civilidade que deve nortear as discussões no parlamento”. Acrescentou que não teve “intenção de promover discriminação” e que as expressões usadas foram “um excesso verbal impensado e um erro grave no uso da linguagem popular”.

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