Fazenda de bicheiros em Guapimirim era usada para furtar petróleo

A operação realizada nesta quinta (21) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público investigava um prejuízo de 6 milhões de reais

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jan 2026, 19h23 | Atualizado em 22 jan 2026, 19h24
Parece até série: fazenda de petróleo de família de contraventores era usada para furtar petróleo.
Parece até série: fazenda de petróleo de família de contraventores era usada para furtar petróleo. (./Reprodução)
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Nesta quinta (21), a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio realizam uma operação para prender 13 suspeitos de integrar uma quadrilha especializada em furto de petróleo que atuava a partir de uma propriedade ligada à família Garcia, tradicionalmente associada ao jogo do bicho no Rio.

Segundo a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), o imóvel era usado para a realização de derivações clandestinas por dutos da Transpetro, que teriam causado um prejuízo estimado em mais de 5,8 milhões de reais.

Até o momento não há provas do envolvimento direto de integrantes da família Garcia nos crimes investigados.

Segundo a polícia, a escolha da fazenda da família não foi aleatória. O local dificulta a fiscalização e tem acesso controlado, o que protegeu a atividade criminosa.

Apesar disso, a Polícia Civil informou que não encontrou nenhuma evidência de envolvimento de Shanna Garcia ou Tamara Garcia com o esquema. A fazenda está arrendada e o atual proprietário é um dos alvos da operação.

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Além dos mandados de prisão, a ação também visa cumprir 16 mandados de busca e apreensão, realizados de forma simultânea em outros cinco estados, para a apreensão de provas materiais e documentais.

A investigação da DDSD revelou que o grupo criminoso funcionava com divisão de tarefas, hierarquia operacional bem definida e articulação logística interestadual — se estendendo por São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Maranhão e Sergipe.

O objetivo da estrutura da quadrilha era realizar, de forma sistemática e reiterada, furtos qualificados de petróleo, mediante perfuração indevida de dutos subterrâneos em plena operação.

Os criminosos utilizavam meios técnicos sofisticados, além de vigilância e escolta armada. Também contratavam empresas para o transporte do produto furtado e atuavam para dissimular a origem ilícita do material, por meio da falsificação ideológica de documentos fiscais, rotulando o petróleo bruto como suposto “resíduo oleoso”.

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A investigação que culminou na operação começou em 2024, quando, na madrugada de 16 de junho, a polícia recebeu uma denúncia de furto de petróleo em um imóvel rural conhecido como Fazenda Garcia, espólio do falecido contraventor Waldemir Paes Garcia.

Ao ir para o local para verificar a informação de que um grupo com cerca de 15 pessoas armadas estaria furtando petróleo do duto que passa no interior da propriedade, os policiais encontraram cinco caminhões-tanque, sendo três deles já completamente carregados.

Cada veículo transportava cerca de 41 mil litros de petróleo bruto, totalizando aproximadamente 123 mil litros de produto furtado. À época, uma equipe técnica da Transpetro confirmou a existência de uma derivação clandestina instalada diretamente em um dos dutos que passavam pelo local.

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Junto dos caminhões, foram apreendidos instrumentos utilizados na perfuração e na transferência do petróleo, como mangueiras, bombonas, cavadeiras e registros clandestinos.

A partir desse caso, a DDSD apurou que o furto não se tratava de um fato isolado, mas da atuação de uma organização criminosa interestadual, com ações no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais.

De acordo com a DDSD, o esquema criminoso funcionava em quatro etapas.

A primeira consistia na perfuração clandestina do duto, que, após ser violado, permanecia sob proteção armada para evitar a descoberta.

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Em seguida, ocorria o carregamento rápido do petróleo em caminhões-tanque previamente posicionados.

A terceira etapa envolvia o transporte clandestino do produto, feito por rotas interestaduais previamente definidas.

A fase final consistia na comercialização do petróleo furtado, realizada mediante a emissão de notas fiscais falsas por empresas usadas como fachada. De acordo com a DDSD, esse procedimento conferia aparência de licitude a um produto de origem manifestamente criminosa.

Para os investigadores, a complexidade do esquema evidencia um modelo criminoso “consolidado, permanente e altamente profissionalizado”.

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