Capela Magdalena: sem tombamento, obra-prima de cravista está ameaçada
Com a morte de Roberto De Regina, imóvel em Guaratiba foi vendido sem cláusula de proteção; abaixo-assinado busca sensibilizar autoridades
Quando morreu, em 2025, aos 98 anos, o virtuoso cravista Roberto De Regina deixou uma herança que extrapolou a música clássica. Artesão e pintor, ele foi responsável por construir e decorar a Capela Magdalena, um recanto de inspiração barroca onde promovia recitais à luz de velas, tocando instrumentos de fabricação própria, em seu sítio em Guaratiba.
“Ele se apresentava trajado como um pajem do século XVIII”, relembra Luiz Eduardo Ozório, que escreveu e dirigiu o documentário O Cravista, premiado no 42º Festival de Cine de Bogotá. “Diferentemente de Elton John e Lady Gaga, que se fantasiam no palco, mas em casa estão de bermuda e camiseta, ele vivia nesta outra época”, explica Ozório, preocupado com o destino da parte mais palpável de todo esse legado. Segundo ele, o espaço inaugurado em 1985 está em risco após a venda do imóvel a uma loja de materiais de construção, sem qualquer cláusula que garanta sua preservação. Por conta disso, escreveu uma carta aberta aos órgãos de proteção ao patrimônio, que virou um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas.
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“Estamos na iminência de perder um bem que é da cidade e do Brasil. Na Europa, já estaria tombado”, ressalta o cineasta, lembrando o medo do músico de que o local, chamado de Capela Sistina Tupiniquim, fosse transformado em um estacionamento após sua partida. “Entrar ali é como passar por um portal para outra era”, compara.







