Caso Henry Borel: os momentos mais importantes do júri

Fase de depoimentos de testemunhas e peritos foi concluída; agora começam os interrogatórios dos réus, Monique Medeiros e Jairinho

Por Da Redação 2 jun 2026, 12h36
Montagem de duas fotos: à esquerda, um homem de pele clara, cabelo escuro e jaqueta preta, com expressão séria; à direita, uma mulher de pele clara, cabelo escuro e camiseta branca com a frase "Eu sou testemunha do amor entre mãe e filho", também com expressão séria
Jairinho e Monique: padrasto e mãe de Henry estão presos (Tomaz Silva/Agência Brasil)
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O julgamento do caso Henry Borel chega à reta final nesta terça (2), no 9º dia, com o interrogatório de Monique Medeiros, seguido do de Jairo Souza Santos Júnior, ambos presos. Desde o início dos trabalhos, em 25 de maio, o Tribunal do Júri ouviu autoridades policiais, peritos médicos, ex-namoradas do réu, conhecido como Doutor Jairinho, e parentes da vítima, o menino morto aos 4 anos, em março de 2021. Sete jurados vão decidir se Jairinho e a mãe de Henry, Monique, então sua namorada,  são culpados pela morte de Henry. Ele é acusado de homicídio qualificado (por meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa), torturas agravadas e coação no curso do processo, enquanto ela é ré por omissão (com agravantes por ser descendente e motivo torpe), torturas e coação no curso do processo. Segundo a perícia, o garoto morreu em decorrência de hemorragia interna provocada por agressões. As defesas negam os crimes e apresentam versões diferentes sobre o que aconteceu.

No domingo (31), o júri bateu um recorde histórico, ao se tornar o mais longo do Rio de Janeiro em 18 anos, superando o da ex-deputada Flordelis dos Santos de Souza. A marca leva em consideração o Código de Processo Penal, que alterou as regras do Tribunal do Júri em 2008. A primeira fase do júri foi marcada pela análise técnica e relatos de convivência. Nos dias iniciais, os delegados responsáveis pela investigação detalharam o inquérito. Na sequência, o tribunal ouviu peritos legistas e médicos sobre a causa da morte e as lesões apresentadas pela criança.

Após o término dos interrogatórios previstos para esta terça (2), o rito processual prevê o início dos debates entre acusação e defesa. O Ministério Público e o assistente de acusação terão uma hora e meia para apresentar seus argumentos, seguidos pelo mesmo tempo para a defesa. Encerrada a fase de debates, os jurados que compõem o Conselho de Sentença deverão responder aos quesitos sobre a materialidade do fato e a autoria dos crimes. A decisão final sobre a condenação ou absolvição será tomada por maioria de votos antes da leitura da sentença pelo juiz presidente.

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Confira momentos marcantes do julgamento:

Entre os depoimentos de maior repercussão destacaram-se os de ex-namoradas de Jairinho, que relataram episódios anteriores, e o de Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, hoje com 18 anos, afirmou ter sofrido agressões quando era criança e filha de uma ex-companheira do ex-vereador. Ela relatou um episódio ocorrido em uma piscina.”…na piscina ele ficava me afundando, até eu bater no chão da piscina”. Ao falar sobre a morte de Henry, a jovem afirmou que passou a se sentir culpada: “Eu me senti muito culpada. Se eu tivesse falado, talvez não chegasse ao que chegou”. Outra testemunha relevante no processo foi Débora Mello Saraiva, também ex-companheira do réu. Ela afirmou que o filho revelou episódios de violência após assistir reportagens sobre o caso Henry e relatou ao júri um episódio de violência sexual que, segundo ela, ocorreu durante o relacionamento com Jairinho. A testemunha afirmou que o caso aconteceu no mesmo dia em que o filho teria sofrido agressões atribuídas ao ex-vereador.

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O depoimento de Leniel Borel, pai da vítima, foi marcado pela emoção. Ouvido na sexta (29), ele afirmou aos jurados que recebeu sinais de que algo estava errado na convivência entre Henry e Jairinho semanas antes da morte da criança. Segundo ele, o primeiro alerta surgiu quando o filho relatou que um “tio” lhe dava “abraços fortes”. “Eu vejo meu filho cheio de marcas, deitado na maca, rígido. Eu o entreguei bem de saúde horas antes. Aquela criança já não era meu filho”, disse, ao relembrar a madrugada de 8 de março de 2021, no Hospital Barra D’Or.

O perito do Ministério Público Luiz Carlos Leal Prestes descartou que as lesões tenham sido provocadas por manobras de ressuscitação e afirmou que a morte foi consequência de agressões. O relato dele vai de encontro com a linha de defesa dos advogados de Jairinho. “Houve um homicídio por espancamento, esse menor chegou sem vida a esse hospital”, afirmou, antes de concluir: “Essa criança sofreu durante algum tempo até sucumbir. Essa morte foi lenta, essa morte foi agônica, progressiva. Imagina uma criança de 4 anos. Qualquer arranhão a criança reclama.”

Também foram ouvidas pessoas que trabalhavam com os réus, como a babá de Henry e a empregada doméstica da residência. A babá Thayná Ferreira, uma das testemunhas mais importantes de todo o processo, pediu para falar sem a presença dos réus no plenário. Ela afirmou que iria se retratar sobre as diferentes versões que deu ao longo do processo. E relatou as três vezes em que Jairinho levou o menino Henry para o quarto, fechando a porta, o que lhe causou estranheza e desconfiança sobre possíveis agressões que o menino teria sofrido. Explicou que, na segunda vez, após o período em que ficou no quarto fechado com o padrasto, Henry saiu mancando e, depois, relatou dores na cabeça. Acrescentou que, nas três ocasiões, Monique não estava em casa. A babá disse que, em todas as vezes, relatou os fatos à ela, por mensagens e, também, quando ela retornou para casa. Falou, ainda, que Henry se mantinha amuado, limitando-se a dizer que tinha caído da cama ou levado uma “banda”, embora ela insistisse em saber se havia acontecido alguma coisa. Ainda segundo a babá,
no dia seguinte ao enterro do menino, foi levada por um assessor de Jairinho, junto com a empregada doméstica da casa, Leila Rosângela, a um escritório de advocacia, onde se encontrou Monique e advogados e assessores de Jairinho. Ela contou que lá eles buscaram instrui-la sobre o que deveria declarar a uma jornalista que também se encontrava no escritório, assim como no momento de prestar depoimento na delegacia, informando que o casal vivia em harmonia. A babá declarou ainda que Monique falou para ela apagar as mensagens que as duas haviam trocado pelo celular.

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