Após polêmica com trans em banheiro, Cássia Kis vai ganhar medalha em Niterói

Homenagem à atriz foi aprovada por 14 votos a 3 e gerou discussões no plenário sobre identidade de gênero e uso de banheiros

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 Maio 2026, 13h43 | Atualizado em 14 Maio 2026, 13h57
Cássia Kis acusada de transfobia em banheiro de shopping
Atriz acusada de transfobia em banheiro feminino tem homenagem aprovada na Câmara de Niterói (Zé Paulo Cardeal/TV Globo)
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A Câmara de Niterói aprovou, em discussão única, o Projeto de Decreto nº 096/2026 que concede à atriz Cássia Kis a Medalha José Clemente Pereira, principal honraria da Casa Legislativa. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo nesta quarta (13). A proposta, apresentada pela vereadora Fernanda Louback (PL) em coautoria com o vereador Allan Lyra (PL), passou por 14 votos a 3 na sessão de quarta (13). A homenagem gerou intenso debate no plenário, envolvendo as posições conservadoras defendidas pela atriz e discussões sobre o uso de banheiros femininos por mulheres trans.

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Na justificativa do projeto, Fernanda Louback afirmou que Cássia Kis “se tornou uma figura pública bastante associada a pautas conservadoras, defendendo publicamente valores familiares tradicionais, liberdade religiosa e posições ligadas à defesa de espaços e direitos das mulheres sob uma visão mais conservadora da sociedade”.

As falas da atriz sobre identidade de gênero e o uso de banheiros femininos por mulheres trans, feitas nos últimos anos, provocaram críticas de movimentos LGBTQIA+ e tiveram repercussão nacional. No final de abril, Cássia Kis foi denunciada ao Ministério Público por suspeita de transfobia após um episódio em um banheiro do Barra Shopping, no Rio. Ao ver uma mulher trans no local, ela disse que “não usa banheiro dos homens”.

Durante a votação, o vereador Anderson Pipico (PT) se posicionou contra a homenagem e criticou o que classificou como uso ideológico das honrarias concedidas pela Câmara. “A gente começa a usar as honrarias da Casa para fazer uma disputa ideológica, que na minha avaliação não contribui nada para a sociedade. A gente hoje aprova uma medalha José Clemente Pereira, que é a maior honraria dessa casa, para uma atriz que, enquanto atriz, eu não tenho nada o que falar. Mas qual a relação da Cássia Kis com Niterói, com a cidade, com essa Casa?”, questionou.

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Já o vereador Douglas Gomes (PL) defendeu o discurso de proteção dos espaços femininos. “As mulheres lutaram tanto tempo pelo seu espaço de segurança e privacidade, que é o banheiro feminino. E hoje, transexuais, ao invés de lutar pelos seus direitos, querem retirar o direito garantido pelas mulheres. Esse é o debate e, por isso, a Cássia Kis vai ser homenageada”, declarou.

Primeira mulher trans eleita para a Câmara de Niterói, a vereadora Benny Briolly (PT) rebateu as declarações e afirmou que a homenagem não enfraquecerá a luta do movimento trans. Em discurso no plenário, Benny afirmou que mulheres trans continuarão utilizando banheiros femininos e convocou uma mobilização no Plaza Shopping, no Centro de Niterói. “Nós, do movimento de mulheres trans e travestis, vamos estar no Plaza utilizando o banheiro das mulheres. E eu quero ver se vossa excelência vai ter a audácia de me proibir de usar o banheiro”.

Além da homenagem aprovada em Niterói, o deputado estadual Anderson Moraes (PL) encaminhou nesta terça (12) à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) um projeto que propõe a criação do prêmio “Defesa das Mulheres Fluminenses – Defensora das Mulheres – Cássia Kis”. Segundo o parlamentar, a iniciativa pretende homenagear  que se destacaram na defesa dos direitos fundamentais das mulheres no estado. Na justificativa, Anderson Moraes afirmou que a atriz demonstrou “coragem ao expressar suas convicções em um ambiente marcado por pressões e tentativas de silenciamento”

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