O plano da prefeitura e governo para combater o crime organizado nas praias

Programa Tolerância Zero visa acabar com a distribuição, estrutura e venda de produtos ilegais na orla a partir de ações conjuntas entre poderes

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 jul 2026, 12h56 | Atualizado em 7 jul 2026, 12h58
Vista aérea da Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, com mar azul-turquesa e ondas brancas. A faixa de areia clara está repleta de pessoas, guarda-sóis coloridos e barracas. Ao longo da orla, edifícios altos e uma avenida movimentada. Montanhas verdes e o Pão de Açúcar completam o cenário sob céu claro.
Tolerância Zero: novo plano da prefeitura e do governo busca combater o crime organizado na orla carioca. (Rafael Catarcione/Prefeitura do Rio de Janeiro)
Continua após publicidade
O plano da prefeitura e governo para combater o crime organizado nas praias Priorizar nos meus resultados Google

A Prefeitura do Rio de Janeiro, associada ao Governo do Estado, anunciaram o programa Tolerância Zero na manhã desta terça-feira (7), com ações de combate à exploração ilegal dos espaços públicos na capital fluminense.

Entre as primeiras mudanças está a publicação de dois decretos para estabelecer um perímetro de tolerância zero de exploração do espaço público nos calçadões das praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon.

Durante um anúncio realizado Centro de Operações Rio, o prefeito Eduardo Cavaliere e o secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, anunciaram o início do projeto para o dia 16 de julho e explicaram que as ações contarão com o apoio das forças de segurança.

Segundo Cavaliere, o objetivo é articular a movimentação de diferentes poderes com o intuito de inibir a distribuição, estrutura e venda de produtos ilegais.

“A exploração do espaço público é algo muito antigo no Rio de Janeiro, de décadas. Mas, com a configuração atual, com volume, escala, padronização e pontos de distribuição, se consolidou e configura com a exploração ilegal do espaço da cidade associada com o crime organizado”, afirmou o prefeito Eduardo Cavaliere.

Cerca de setenta pontos estratégicos de ocupação serão estabelecidos pelas autoridades, com a ajuda de um mapeamento realizado pela Secretaria Municipal de Ordem Pública.

Continua após a publicidade

“Não podemos admitir que o crime organizado venha a explorar pessoas para que exerçam essas atividades de forma ilegal. A prefeitura, além de anunciar com antecedência à operação, está dando a oportunidade ao cidadão de bem, trabalhador, de se regularizar”, afirmou Victor Santos, secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

Entre os problemas identificados pelas ações preventivas nos calçadões de parte da Zona Sul do Rio estão:

  •   Cobrança ilegal por pontos de venda;
  •   Exploração de ambulantes;
  •   Venda e aluguel clandestino de pontos;
  •   Mercadorias sem origem comprovada;
  •   Logística própria de abastecimento.

+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui

Continua após a publicidade

Segundo o secretário de ordem pública, Marcus Belchior, 22 depósitos ilegais usados irregularmente foram identificados por ações de inteligência. A pasta afirma ainda que as atividades ilegais rendem cerca de 100 milhões de reais de faturamento anual com locações de pontos, depósitos e equipamentos.

A estimativa do poder público é de mil pontos ilegais de venda nos calçadões dos quatro bairros. Outro dado do levantamento é que 20% dos ambulantes ilegais seriam estrangeiros.

“Algumas facções criminosas chegam a cobrar de 200 a 300 reais por dia por pontos de venda nos calçadões da nossa orla. A exploração de ambulantes e a venda e o aluguel clandestino de pontos. Além de mercadorias sem origem. Como pode uma barra de chocolate famosa, em um shopping, custar 100, 110 reais e o ambulante estar vendendo por 30 reais? Isso, obviamente, não vem de uma origem legal”, disse o secretário Marcus Belchior.

Entre os órgãos envolvidos está o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Estado do Rio de Janeiro, que produzirá as informações usadas nas análises dos órgãos envolvidos no projeto.

Continua após a publicidade

“Essa união de esforços é importante porque a questão é só de segurança, mas influencia o comércio, o turismo e a mobilidade urbana. O GSI, como órgão de inteligência do estado, vai ser responsável por capitanear as informações para a Seop e os demais órgãos envolvidos no combate ao crime organizado”, disse Roberto Leão, chefe do GSI-RJ.

Além da orla, as ruas da região também receberão reforço no policiamento por meio de agentes, câmeras e drones. O poder público promete intensificar a apreensão de mercadorias irregulares, sem nota fiscal, e o combate aos depósitos clandestinos.

“Camisas falsificadas da seleção brasileira, recentemente, na Copa do Mundo, sendo vendidas em vários pontos da cidade. Isso não é coincidência”, afirmou Belchior.

O prefeito afirmou que o combate aos ambulantes ilegais não atingirá os camelôs que atuam com autorização da Prefeitura do Rio na orla.

Continua após a publicidade

“A gente não pode confundir o trabalhador ambulante legalizado de forma alguma com aqueles que servem à exploração do espaço público pelo crime organizado. Nosso objetivo aqui é deixar claro o alvo da operação”, afirmou Cavaliere.

Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Domine o fato. Confie na fonte.
15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Premium
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Premium

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês