Disputa entre facções gera onda de violência na Praia de Copacabana
A rivalidade entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) já afeta o dia a dia de quem trabalha na região
Antes do tradicional vai e vem de banhistas, vendedores e turistas, uma nova disputa vem ganhando espaço nas areias de Copacabana e do Leme. A rivalidade entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) passou a influenciar também a dinâmica de um dos trechos mais movimentados da orla carioca, conforme noticiou o jornal Extra.
Não é novidade que o interesse das facções vai muito além da comercialização de drogas. A investigação aponta que os grupos criminosos disputam o controle de diferentes atividades econômicas informais que movimentam dinheiro diariamente na praia, como o comércio ambulante, o aluguel de motos elétricas e até a venda de mercadorias de origem ilegal. A enorme circulação de pessoas durante todo o ano faz da orla um ambiente lucrativo para quem busca ampliar sua arrecadação.
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A ocupação do território segue a influência exercida pelas comunidades do entorno. O Leme estaria sob domínio de criminosos ligados ao Chapéu Mangueira e à Babilônia, áreas associadas ao TCP. Já em Copacabana, a presença predominante seria de integrantes ligados ao CV, com conexões em comunidades como Tabajaras e Pavão-Pavãozinho. Na prática, a região próxima ao Posto 2, na altura da Avenida Princesa Isabel, teria se tornado uma espécie de linha divisória entre as duas organizações.
A escalada da tensão ficou evidente nos últimos dias. Câmeras de segurança flagraram perseguições, agressões e homens armados circulando pela faixa de areia. Em um dos episódios, um homem foi abordado, teve o celular revistado e acabou espancado por suspeitos. As cenas reforçaram o sentimento de insegurança entre trabalhadores da praia, que afirmam perceber uma presença cada vez mais ostensiva de criminosos em plena luz do dia.
Na avaliação de especialistas em segurança pública, o avanço das facções sobre a orla faz parte de um movimento maior de expansão das áreas de influência do crime organizado no estado. Com a pressão das forças de segurança em alguns territórios e as constantes disputas entre grupos rivais, organizações criminosas passaram a mirar espaços de grande circulação e alto potencial financeiro, como as praias da Zona Sul.
Quem trabalha diariamente na região já sente os reflexos desse cenário. Ambulantes relatam evitar determinados pontos da praia por receio de conflitos, enquanto comerciantes e donos de quiosques dizem estar mais atentos à movimentação de grupos suspeitos. A preocupação é que a violência, antes concentrada nos morros, passe a fazer parte da rotina de um dos principais cartões-postais da cidade.
A Polícia Militar informou que mantém reforço no policiamento em Copacabana e no Leme, com equipes distribuídas entre patrulhamento a pé, motocicletas e viaturas. A Polícia Civil, por sua vez, acompanha a atuação das facções e investiga a relação entre os episódios registrados na orla e os conflitos em comunidades da capital fluminense.





