Disputa entre facções gera onda de violência na Praia de Copacabana

A rivalidade entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) já afeta o dia a dia de quem trabalha na região

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 jul 2026, 11h25 | Atualizado em 6 jul 2026, 11h42
Vista aérea da Praia de Copacabana, Rio de Janeiro, com mar azul-turquesa e ondas brancas. A faixa de areia clara está repleta de pessoas, guarda-sóis coloridos e barracas. Ao longo da orla, edifícios altos e uma avenida movimentada. Montanhas verdes e o Pão de Açúcar completam o cenário sob céu claro.
Tolerância Zero: novo plano da prefeitura e do governo busca combater o crime organizado na orla carioca. (Rafael Catarcione/Prefeitura do Rio de Janeiro)
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Antes do tradicional vai e vem de banhistas, vendedores e turistas, uma nova disputa vem ganhando espaço nas areias de Copacabana e do Leme. A rivalidade entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) passou a influenciar também a dinâmica de um dos trechos mais movimentados da orla carioca, conforme noticiou o jornal Extra.

Não é novidade que o interesse das facções vai muito além da comercialização de drogas. A investigação aponta que os grupos criminosos disputam o controle de diferentes atividades econômicas informais que movimentam dinheiro diariamente na praia, como o comércio ambulante, o aluguel de motos elétricas e até a venda de mercadorias de origem ilegal. A enorme circulação de pessoas durante todo o ano faz da orla um ambiente lucrativo para quem busca ampliar sua arrecadação.

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A ocupação do território segue a influência exercida pelas comunidades do entorno. O Leme estaria sob domínio de criminosos ligados ao Chapéu Mangueira e à Babilônia, áreas associadas ao TCP. Já em Copacabana, a presença predominante seria de integrantes ligados ao CV, com conexões em comunidades como Tabajaras e Pavão-Pavãozinho. Na prática, a região próxima ao Posto 2, na altura da Avenida Princesa Isabel, teria se tornado uma espécie de linha divisória entre as duas organizações.

A escalada da tensão ficou evidente nos últimos dias. Câmeras de segurança flagraram perseguições, agressões e homens armados circulando pela faixa de areia. Em um dos episódios, um homem foi abordado, teve o celular revistado e acabou espancado por suspeitos. As cenas reforçaram o sentimento de insegurança entre trabalhadores da praia, que afirmam perceber uma presença cada vez mais ostensiva de criminosos em plena luz do dia.

Na avaliação de especialistas em segurança pública, o avanço das facções sobre a orla faz parte de um movimento maior de expansão das áreas de influência do crime organizado no estado. Com a pressão das forças de segurança em alguns territórios e as constantes disputas entre grupos rivais, organizações criminosas passaram a mirar espaços de grande circulação e alto potencial financeiro, como as praias da Zona Sul.

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Quem trabalha diariamente na região já sente os reflexos desse cenário. Ambulantes relatam evitar determinados pontos da praia por receio de conflitos, enquanto comerciantes e donos de quiosques dizem estar mais atentos à movimentação de grupos suspeitos. A preocupação é que a violência, antes concentrada nos morros, passe a fazer parte da rotina de um dos principais cartões-postais da cidade.

A Polícia Militar informou que mantém reforço no policiamento em Copacabana e no Leme, com equipes distribuídas entre patrulhamento a pé, motocicletas e viaturas. A Polícia Civil, por sua vez, acompanha a atuação das facções e investiga a relação entre os episódios registrados na orla e os conflitos em comunidades da capital fluminense.

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