Que nuvem que nada: parte da memória do Rio está guardada no gelo do Ártico
Armazenamento no AWA dispensa servidores, cabos e até internet: tudo é gravado em filmes físicos de 35 mm capazes de preservar dados por até 10 000 anos
Documentos raros, obras culturais e pesquisas científicas brasileiras que têm o Rio como endereço estão guardados longe de qualquer intempérie, em uma estrutura no distante arquipélago de Svalbard, na Noruega, capaz de preservar dados por até 10 000 anos. Ali, dentro do Arctic World Archive, o armazenamento dispensa servidores, cabos e até internet: tudo é gravado em filmes físicos de 35 mm, os chamados picFilms. Cada rolo comporta até seis quilos de informação — o equivalente a um milhão de folhas A4.
Na prática, isso significa que os dados não dependem de softwares ou atualizações para serem acessados. “Usamos um microfilme resistente até a vazamento radioativo, que trabalha com algorítimo binário, base de toda a linguagem computacional, não dependendo de atualização”, explica Mônica Trindade, representante da Piql no Brasil, que abriu na Barra o primeiro laboratório da América Latina para gravação e revelação desse tipo de mídia.
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O cofre já reúne preciosidades como as cópias do manuscrito da ópera O Guarani, de Carlos Gomes; fotos da família imperial e parte da coleção do Museu Nacional destruída no incêndio de 2018, como as imagens da múmia de um gato do período romano (foto). Isso porque registros como os exames de ressonância magnética dele ficaram preservados no AWA, que também conserva o acervo do BiodesignLab Dasa/PUC-Rio, ao lado de riquezas de outros países, da ONU e do Vaticano. Sem depender de energia, o material segue critérios de validação jurídica e não pode ser regravado, o que o torna totalmente imune a ataques digitais. O sistema funciona como uma cápsula do tempo: menos prático que a nuvem, mas infinitamente mais duradouro.







