Emergencial! São Paulo vai captar mais água em bacia que abastece o Rio
Medida é feita para reforçar o sistema Cantareira, que fornece água para cerca de 10 milhões de pessoas na região metropolitana paulista
O estado de São Paulo foi autorizado, em caráter excepcional, a aumentar a captação de água da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul ─ que abastece o Rio de Janeiro ─ para reforçar o sistema Cantareira, que fornece água para cerca de 10 milhões de pessoas na região metropolitana paulista.
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A decisão faz parte de um acordo assinado esta semana, em Brasília, entre os três estados por onde passa o Paraíba do Sul: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), responsável por gerenciar os recursos hídricos do Brasil, também fez parte do acordo.
O pedido para ampliar a captação de água na bacia do Paraíba do Sul foi feito pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Por causa de estiagem, o sistema Cantareira opera na “faixa de atenção”, com 39% da capacidade, o que traz preocupação sobre o abastecimento de água na Grande São Paulo.
Na faixa de atenção, a Sabesp pode captar até 31 metros cúbicos por segundo, um pouco abaixo do volume normal de captação, de 33 metros cúbicos por segundo, como forma de equilibrar os reservatórios dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
Segundo comunicado divulgado pelo Governo do Rio, a medida visa “socorrer o sistema Cantareira”.
Paraíba do Sul
A Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul se estende em uma área total de 61500 quilômetros quadrados, sendo 1400 quilômetros quadrados em São Paulo, 20700 quilômetros quadrados em Minas Gerais e 26900 quilômetros quadrados no Rio de Janeiro.
A água do Paraíba do Sul é responsável por nutrir o sistema Guandu, que abastece a região metropolitana do Rio. Além dessa finalidade, o rio tem outros usos, como irrigação e abastecimento de reservatório de quatro usinas hidrelétricas.
De acordo com o governo do Rio de Janeiro, a autorização para captação paulista “não compromete a logística de abastecimento fluminense”.
O que determina o acordo:
– O volume anual máximo de água passível de transposição do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari para o reservatório Atibainha, integrante do Sistema Cantareira, passa de 162 hectômetro cúbico para até 268,28 hectômetro cúbico e vazão máxima de captação de 8,5 metros cúbicos.
– Sabesp é responsável por promover as soluções necessárias à mitigação de eventuais impactos aos usos da água decorrentes da redução de nível nos reservatórios das usinas hidrelétricas Jaguari, Santa Branca, Paraibuna e Funil, causados pela retirada do volume adicional.
– Validade até 31 de dezembro de 2026, mas pode ser suspenso caso o Cantareira recupere o nível e chegue a 60% da capacidade.
Histórico
De acordo com a ANA, a autorização para São Paulo ampliar a captação na bacia do Paraíba do Sul já ocorreu em situações excepcionais, como em 2021 e 2025, anos em que também houve persistência de estiagem.
Há pouco mais de dez anos, os estados chegaram a se “enfrentar” por causa da necessidade de captação de água.
São Paulo propôs interligar as bacias para garantir suprimento ao Cantareira, mas o Rio de Janeiro reagiu, afirmando que a medida poderia comprometer a segurança hídrica fluminense.
Em 2015, um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) solucionou a crise interestadual.





