Gestão unificada é uma das soluções para o avanço da economia verde no Rio
O painel A Economia do Futuro: a Sustentabilidade Como Motor de Desenvolvimento abriu o fórum VEJA RIO + Verde
A criação de um órgão articulador, responsável por um planejamento de médio e longo prazo, conectando diferentes áreas, como fármacos e turismo, seria um passo decisivo para acelerar a transição do estado do Rio de Janeiro para a economia verde.
Essa é a avaliação da diretora da COPPE/UFRJ Suzana Kahn, que integrou o painel A Economia do Futuro: a Sustentabilidade Como Motor de Desenvolvimento, que abriu a 1ª edição do fórum VEJA RIO + Verde, nesta quinta (25), no hotel Grand Hyatt, na Barra. A mediação foi de Alessandra Carneiro, repórter da revista.
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“A indústria do petróleo é referência porque quando foi decidido que o país deveria ser líder em exploração e produção offshore, os centros de pesquisa se estruturam ao redor do tema e tiveram suporte financeiro das empresas, o que permitiu um avanço contínuo.
Muitas inovações no campo da robótica e da inteligência artificial, criadas para o mercado de óleo e gás, são aplicadas em outros segmentos, a exemplo da agronomia”, explicou.
Participante do debate, o CEO do Porto Maravalley, Daniel Barros, complementou que, assim como outros estados, o Rio de Janeiro deveria ter a sua própria agência de promoção de investimentos.
“Seria fundamental para atrair recursos e oportunidades de negócios”, disse.
O Rio de Janeiro tem 600 startups mapeadas, todas desenvolvendo soluções para desafios reais no dia a dia das empresas, o que inclui a gestão de resíduos em todas as etapas da cadeia produtiva.
“O nosso hub de inovação é forte e são várias as vocações, como ampliação de data centers, que é um mercado emergente, além da biotecnologia”, destacou.
No cenário de soluções encontradas pela iniciativa privada para diminuir a pegada ambiental nas operações, a diretora de Responsabilidade Corporativa e Direitos Humanos da L’Oréal Brasil, Helen Pedroso, dividiu com o público um case da empresa na cadeia logística.
“Desde 2022, a empresa incorporou o biometano na matriz energética, e decidimos ampliar esse uso em parte da nossa frota. Esse gás queima dentro de um aterro sanitário, faz uma logística circular diferenciada e tem como vantagem o preço mais barato. Quando a gente investe em inovação, com o parceiro certo e antecipa tendências, é possível trazer uma visão econômica para dentro do negócio”, afirmou.
Mas nem todo desafio sustentável pode ser combatido com inovação. O CEO da Frescatto, Thiago de Luca, trouxe para o debate que o maior desafio do setor que vive do comércio pesqueiro é o mercado informal.
Um dos resultados é a pesca no período de defeso, o que coloca espécies marítimas em risco. “A minha matéria-prima vem da água e a sustentabilidade é essencial no meu negócio, mas o segmento está muito atrasado. É difícil conseguir barcos que emitam nota fiscal e sejam comprometidos com o meio-ambiente”, enfatizou.
O executivo destacou que um caso clássico dessa exploração desordenada foi o fim da indústria das sardinhas em conserva, no estado. “Ainda temos esse peixe, mas não para gerar um produto em escala. A informalidade é o maior problema”, finalizou.
Fórum VEJA Rio + Verde é uma realização da Editora Abril com apoio institucional da Prefeitura de Araruama e apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro / Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima.





