Como o Instituto Rio Metrópole somava 86 milhões em contratos irregulares

Presidente de autarquia é um dos seis presos; MPRJ denunciou 11 pessoas por organização criminosa, corrupção, fraude de licitação e lavagem de dinheiro

Por Da Redação 9 jul 2026, 13h10
Homem careca de perfil, vestindo blusa azul e calça bege, andando em direção a um carro preto. Ao fundo, coqueiros, a orla da praia e um quiosque vermelho sob céu azul
Davi Perini Vermelho: presidente do Instituto Rio Metrópole foi preso na manhã desta quinta (9) (TV Globo/Reprodução)
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Em operação deflagrada nesta quinta (9), o Ministério Público do Rio desmantelou um suposto esquema de desvio de recursos públicos no Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia criada em 2018 para articular e monitorar o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio e vinculada à Secretaria estadual de Governo, cuja atual diretoria foi nomeada na gestão Cláudio Castro. Segundo a denúncia, contratos milionários com as empresas Engeconsult e R. Peotta abasteciam um esquema que incluía repasses ao Instituto Bio, empresa de fachada, e saques em dinheiro vivo de altas quantias em dinheiro. Segundo as investigações, que começaram com uma auditoria determinada pelo governador em exercício, Ricardo Couto, a autarquia celebrou contratos ilegais de 86 milhões de reais. Seis pessoas forma presas — entre elas, Davi Perini Vermelho, o Didê, presidente do IRM; Caroline Soares Barros, conhecida como “Mulher da Mala”, ex-fiscal do órgão que tinha até escolta para ir ao banco; e Mauricio Silva Knoploch dos Santos, pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL).

Segundo o MP, o IRM firmava contratos com a Engeconsult Consultores Técnicos Ltda. e R. Peotta Engenharia e Consultoria Ltda. A primeira empresa teve pelo menos dois contratos citados na denúncia: um de consultoria para elaboração do Plano Metropolitano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, no valor de R$ 2,88 milhões, e outro de serviços técnicos de apoio ao IRM, inicialmente de R$ 20,5 milhões, depois elevado por aditivos até R$ 58,29 milhões. Já a segunda firmou um contrato para serviços de engenharia ligados ao sistema de fornecimento de água e ao Centro de Controle Operacional, com valor inicial era de R$ 12,33 milhões que, com aditivos, chegou a R$ 25,09 milhões. De acordo com o MP, esses contratos eram vagos, amplos e de difícil fiscalização, o que permitia pagamentos sem comprovação clara das entregas. Depois de receberem do IRM, Engeconsult e R. Peotta repassavam dinheiro ao Instituto Bio, que o MP chama de entidade de fachada (não possuía empregados registrados e despesas muito baixas) e era presidido por Caroline Soares Barros. Ela transferia quase tudo para sua conta pessoal, de onde fazia saques em espécie. Segundo o MP, foram 13 saques, entre maio de 2025 e janeiro de 2026, que somaram R$ 3,02 milhões. Dois saques foram de R$ 500 mil cada: um em 26 de dezembro de 2025 e outro em 9 de janeiro de 2026. O transporte do dinheiro era feito com escolta armada da Rioforte Vigilância e Segurança Privada.

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Na manhã desta quinta (9), os promotores do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf/MPRJ) saíram para cumprir, além dos seis mandados de prisão, nove mandados de busca e apreensão. Em nota, o governo do estado afirmou que a operação foi resultado de uma auditoria que identificou “indícios de irregularidades em contratos e deu origem às investigações”. “O relatório produzido pela auditoria foi encaminhado ao Ministério Público, que aprofundou a apuração e deflagrou a operação”, prosseguiu. “A atuação reforça o compromisso do governo do estado com a transparência, o controle dos recursos públicos e o combate à corrupção”. As defesas dos preos ainda não se manifestaram.

Saiba quem são os presos na operação do Ministério Público

Amanda Íthala Santos da Paschoa: nora de Maurício Knoploch e gestora de contratos do IRM, após a saída de Caroline;

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Caroline Soares Barros, a “Mulher da Mala”: ex-fiscal do IRM e fundadora do Instituto Bio, empresa subcontratada da autarquia;

Davi Perini Vermelho, o Didê: ex-vereador de São João de Meriti, predidia o IRM. Segundo o Ministério Público, ele assinava contratos e aditivos, homologava licitações e atuava como ordenador de despesas.

Franquis Dias Nepomuceno: delegado e diretor do IRM, apontado como dono da empresa de vigilância Rioforte;

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Marcelo Lopes da Silva: procurador do estado e ex-procurador-geral do IRM;

Mauricio Silva Knoploch dos Santos: pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) e diretor de Planejamento e Projetos do IRM.

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