O que se sabe sobre caso de jovem que morreu após ter alta do hospital

Segundo a irmã da paciente, Giulia foi liberada do hospital duas vezes sob o diagnóstico de crise de ansiedade

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 set 2026, 17h55 | Atualizado em 3 set 2026, 19h27
jovem morreu alta hospital
Atestado de óbito: documento aponta "tamponamento cardíaco" como causa da morte (./Reprodução)
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Giulia Silva de Araújo morreu horas depois de procurar duas vezes atendimento médico no Hospital Municipal Francisco da Silva Telles.

A mãe de Giulia, Marluce Bezerra, afirma que a jovem foi liberada do hospital sob o diagnóstico de crise de ansiedade

Ela contou que a filha, que tinha 26 anos e era professora de história, sonhava em se mudar para os Estados Unidos e oferecer uma vida melhor para a família: “Hoje, eu estou sentindo a dor na alma. Minha filha era jovem, tinha planos de fazer outra faculdade. Queria ir para Estados Unidos, trabalhar lá, para ganhar melhor, ajudar a irmã, me ajudar. Eu nunca quis que ela fosse pra ela não ficar longe de mim. Agora, eu vejo a minha filha longe para sempre”.

A família de Giulia registrou um boletim de ocorrência na delegacia. De acordo com a Polícia Civil, o caso está sendo investigado pela 59ª DP (Duque de Caxias) e há diligências em andamento para apurar as circunstâncias da morte.

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Marluce revelou que está inconformada com o que aconteceu à filha e acusou o Hospital Municipal Francisco da Silva Telles de negligência: “Muitas pessoas perderam os filhos por causa desses assassinos dentro de hospital, fingindo de médico. Eu estou aqui porque o meu Deus tem me dado força a cada minuto para suportar a dor de nunca mais ver minha filha”.

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O atestado de óbito indicou como causa da morte “tamponamento cardíaco”, que é a pressão exercida no coração pelo sangue ou líquido que se acumula no pericárdio, membrana de duas camadas que circunda o coração.

Sobre os protocolos adotados e a realização de exames complementares, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio comunicou em nota que a direção do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles afirmou ter fornecido cópias dos boletins de atendimento à família da paciente e que dados técnicos e assistenciais serão repassados aos órgãos legais e competentes.

“Ela deu entrada no hospital por volta das 8h da manhã com forte dor torácica e muita falta de ar. Mesmo ela relatando tudo isso, liberaram ela porque falaram que ela estava com crise de ansiedade. Por volta das 11h, minha irmã voltou ao mesmo hospital, fizeram alguns exames e deram alta alegando a mesma coisa da ansiedade”, explicou a irmã de Giulia, Fabiana.

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Ela contou que conversou com a irmã por telefone e que Giulia havia relatado estar com dores muito fortes, preocupada com sua saúde enquanto esperava por atendimento.

“Nesta segunda vez que Giulia retornou ao hospital, ela estava com tanta falta de ar que não conseguiu nem ficar sentada, e acabou desmaiando na sala de espera. Depois do atendimento, medicaram e liberaram ela para casa”, acrescentou.

Ainda segundo Fabiana, a irmã teria piorado muito quando chegou à casa e foi levada pela família a outro hospital, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense: “Eu sou enfermeira, estava de plantão quando minha família me ligou dizendo que Giulia já estava quase sem pulso em casa e caída na cama. Saí correndo do trabalho, levamos ela para outro hospital. Lá, tentaram reanimá-la, intubaram minha irmã, mas ela não resistiu”, lamentou Fabiana.

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Os dois boletins de atendimento de Giulia no Hospital Municipal Francisco da Silva Telles informam que a paciente reclamava de dor torácica ao respirar, mas também que todos os exames realizados tinham resultados dentro da normalidade. Nos segundo boletim,  consta que a paciente estava com “100% de saturação em ar ambiente, com ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações”.

Na última terça (1º), a Secretaria Municipal de Saúde do Rio informou que a paciente “foi imediatamente atendida e recebeu todos os cuidados indicados para o seu quadro, o que inclui os exames estabelecidos em protocolo para diagnóstico imediato de quadros cardíacos agudos”.

De acordo com a instituição, todos os exames realizados apresentaram resultados dentro dos parâmetros de normalidade: frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, temperatura e saturação de oxigênio. Além disso, a secretaria informou que a paciente passou por um exame de eletrocardiograma: “determinante na detecção de quadros cardíacos de maior gravidade, e o resultado não apresentou qualquer alteração”.

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As informações foram noticiadas pelo G1.

Nota da Secretaria Municipal de Saúde:

A direção do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles (HMFST) informa que, na última sexta-feira (28), às 8h32, a paciente Giulia deu entrada na emergência da unidade com relato de dor no peito. Ela foi imediatamente atendida e recebeu todos os cuidados indicados para o seu quadro, o que inclui os exames estabelecidos em protocolo para diagnóstico imediato de quadros cardíacos agudos. Todos esses exames apresentaram resultados dentro dos parâmetros de normalidade: frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial, temperatura e saturação de oxigênio. A paciente também passou por exame de eletrocardiograma, determinante na detecção de quadros cardíacos de maior gravidade, e o resultado não apresentou qualquer alteração. Diante da normalidade dos resultados e dos indicadores vitais, foram prescritos medicamentos para os sintomas relatados, e a paciente recebeu alta médica com as devidas orientações.

No mesmo dia, às 11h14, Giulia retornou à unidade e foi mais uma vez atendida imediatamente. Diante da persistência de seus sintomas, a equipe médica repetiu os exames realizados no primeiro atendimento e prescreveu ainda hemograma completo e radiografia do tórax. Também nesta segunda bateria de exames, não foi detectada nenhuma alteração. Ela recebeu no próprio hospital medicação para os sintomas apresentados até então e permaneceu em observação. Às 13h19 foi reavaliada e, como os indicadores vitais permaneceram dentro da normalidade, foi prescrita a alta médica com orientações.

O HMFST lamenta o falecimento de Giulia e ressalta que prestou toda a assistência à paciente de acordo com o quadro clínico apresentado em cada avaliação. A direção da unidade segue à disposição da família para mais esclarecimentos.

A Prefeitura de Duque de Caxias,  através da Secretaria Municipal de Saúde e direção do Hospital Municipal Dr Moacyr Rodrigues do Carmo (HMMRC), informou que Giulia deu entrada na unidade no dia 28, às 16h58, já em parada cardiorrespiratória e que a equipe de emergência da unidade seguiu com manobras de ressuscitação cardiopulmonar, sem sucesso.

A direção do HMMRC informou também que a paciente teve o óbito confirmado às 17h25, que foi feito o registro na Delegacia de Polícia e que o corpo foi encaminhado ao IML, para determinar a causa do óbito.

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