Baseado em fatos reais: livro revela causos da corte portuguesa no Brasil
Autor de "D. João VI — A História Não Contada", Paulo Rezutti antecipa seis curiosidades sobre o rei português
Antes de ganhar fama de atrapalhado, Dom João VI (1767-1826) foi responsável por transformar o Rio de Janeiro em centro político, econômico e cultural. É o que o historiador Paulo Rezutti esmiúça em D. João VI — A História Não Contada (Ed. Record, R$ 129,90), lançado esta semana. A seguir, seis curiosidades que ajudam a entender o monarca:
1 Segunda Opção
Em 1808, quando se mudou às pressas para o Brasil fugindo da ameaça napoleônica, a Corte portuguesa fez uma parada em Salvador. Houve até promessa de construção de um palácio para manter o rei na Bahia, mas, ainda assim, D. João seguiu viagem e decidiu se instalar no Rio.

2 Crescimento Veloz
A chegada da família real exigiu uma reconfiguração urbana acelerada: pântanos drenados, áreas aterradas e estudos sobre salubridade. Ao se instalar em São Cristóvão, o marido de Carlota Joaquina ajudou a empurrar o crescimento da cidade para novas regiões, como a futura Cidade Nova.
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3 Haja Cerimônia
Nem o calor dos trópicos afrouxou o protocolo europeu, já que os rituais eram rigorosos. Missas, concertos e festas seguiam padrões sofisticados, reforçando a tentativa de reproduzir, no Rio, o ambiente das monarquias europeias.
4 Medo e Incerteza
Com a presença da nobreza, muitos cariocas passaram a temer perder suas casas, que poderiam ser requisitadas para abrigar membros mais poderosos. Para despistar, havia quem deixasse fachadas inacabadas, evitando chamar atenção.

5 Ele Queria Ficar
Ao contrário da narrativa mais difundida, de um rei acuado por Napoleão Bonaparte, há indícios de que D. João VI enxergava no Brasil um projeto duradouro. O livro revela um rei diplomático e até ardiloso, que não pensava em voltar à Europa — ele não resistiu à pressão lusitana e retornou a Lisboa em 1821, falecendo cinco anos mais tarde.
6 Vocação Diferente
Criado por Dom João VI em 13 de junho de 1808, o Jardim Botânico nasceu com a função de proteger uma fábrica de pólvora e testar o cultivo de espécies estratégicas, como chá e especiarias — bem longe da ideia de um parque aberto ao público.







