O motivo da prisão de Márcio Canella, segundo deputado estadual mais votado

Ele já havia sido alvo da PF na 6ª etapa da Operação Unha e carne, em julho, por esquema de lavagem de dinheiro que movimentou 7,6 bilhões de reais

Por Da Redação 15 out 2026, 11h42 | Atualizado em 15 out 2026, 11h45
Homem de barba grisalha, óculos e camisa branca, sorri com os braços erguidos segurando um microfone, em meio a uma multidão com bandeiras azuis e uma bandeira do Brasil, em um comício político a céu aberto
Márcio Canella: deputado eleito pelo União Brasil já havia sido preso em outra fase da operação, quando a polícia encontrou um fuzil calibre .556 em seu carro (Internet/Reprodução)
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Segundo deputado mais votado nas eleições no Rio nestas eleições, o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) preso na manhã desta quinta (15) na Operação Unha e Carne 8, deflagrada pela Polícia Federal. Ele é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes. Segundo a investigação, o político é apontado como o articulador da organização criminosa armada suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do estado como plataforma de lavagem de dinheiro. A defesa de Canella, que já havia sido preso em julho na 6ª etapa da Operação, infomou que só vai se pronunciar quando tiver acesso aos autos.

A Unha e Carne começou em dezembro de 2025 e investiga conexões de agentes públicos com grupos criminosos que atuam no estado. Nesta quinta (15), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agentes saíram para cumprir seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios. A ação é um desdobramento da 6ª etapa da Unha e Carne. Na ocasião, Canella havia sido alvo de buscas dentro de uma investigação sobre 96 postos de combustíveis no Grande Rio que movimentou, em 6 anos, 7,6 bilhões de reais. E acabou preso depois que a polícia encontrou um fuzil calibre .556 em seu carro. Esse episódio levou à Unha e Carne 7, no mês passado, quando o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella (União) foi preso por posse irregular de armas de fogo de uso restrito. Jorge não é parente de Márcio, mas adotou o sobrenome do padrinho.

A 1ª etapa da operação Unha e Carne foi deflagrada em dezembro de 2025 e teve como alvo o então presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Rodrigo Bacellar, hoje cassado e preso (na 3ª etapa da operação). De acordo com a PF, Bacellar teria vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, contra o Comando Vermelho. O principal beneficiado seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, apontado como articulador político da facção e preso na Operação Zargun. Ainda em dezembro de 2025, a 2ª fase aprofundou as apurações sobre a origem dos vazamentos. Nessa etapa, a PF prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Segundo os investigadores, o vazamento teria partido do Judiciário federal. A suspeita é que o magistrado repassou informações a Bacellar, que, por sua vez, as transmitiu a TH Joias.

Na 4ª fase, de 5 de maio de 2026, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso, suspeito de comandar um esquema de fraudes em procedimentos de compra de materiais e de aquisição de serviços, como obras para reformas, no âmbito da Secretaria Estadual de Educação do RJ (Seeduc). e na 5ª, em 2 de julho, a PF prendeu o pastor Márcio Poncio, investigado por ligação com a Máfia do Cigarro. Também foram cumpridos mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e contra Rodrigo Bacellar — ambos já estavam encarcerados. Na ocasião, o empresário Fernando Trabach Gomes, dono de postos de combustíveis, foi alvo de buscas. Em 2022, durante a campanha à reeleição do então governador Cláudio Castro (PL), postos de combustíveis de Trabach abasteceram a maior parte da frota utilizada pelo então candidato ao governo do estado. As buscas tinham como objetivo esclarecer as ligações de Trabach com Castro e com o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar.

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Márcio Correia de Oliveira, o Márcio Canella, foi preso em casa, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio.

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