Quem são os políticos alvo da nova fase da Operação Unha e Carne

Grupo movimentou 7,6 bilhões de reais, segundo relatório do Coaf; entre eles estão ex-prefeito de Belford Roxo e ex-secretário de Polícia Civil

Por Da Redação 7 jul 2026, 11h53 | Atualizado em 7 jul 2026, 11h57
Dois homens de meia-idade, um à esquerda em terno preto e gravata escura, e outro à direita de óculos e barba, em terno cinza, segurando um microfone, com o logo da Polícia Civil ao fundo
Canellas e Amim: suspeitos de envolvimento num suposto esquema de lavagem de dinheiro, (Redes sociais/Alerj/Reprodução)
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O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, e o delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim estão entre os alvos da 6ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga conexões de agentes públicos com grupos criminosos que atuam no estado do Rio, deflagrada na manhã desta terça (7) pela Polícia Federal. O foco é uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio que movimentou 7,6 bilhões de reais em seis anos, num suposto esquema de lavagem de dinheiro, com anuência de políticos. As investigações começaram com um relatório de inteligência enviado à PF pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os agentes saíram para cumprir, no total, 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, além da capital fluminense.

Deputado mais votado do Rio em 2022, dois anos depois Canella foi eleito prefeito de Belford Roxo. No início de abril, ele renunciou ao cargo de prefeito para concorrer ao Senado. Ele é apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo deputado estadual Douglas Ruas, presidente da Alerj. Já o delegado Marcus Vinícius Amim ficou à frente da Polícia Civil do RJ entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Sua nomeação dependeu da aprovação de um projeto de lei na Alerj para permitir que delegados com menos de 15 anos na função assumissem o comando da Secretaria de Polícia Civil. Em 2018, o então deputado Canella propôs a concessão da Medalha Tiradentes, principal honraria da Assembleia, ao delegado Amim.

Outros policiais também são investigados. Entre eles, o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, o Pablo Russo, que integrou a equipe do ex-secretário Marcus Amim em diversas delegacias. Dados da PF mostram que ele é dono, por meio de laranjas, de uma rede de postos de gasolina. Entre empresas ativas e inativas, mais de 80 estão ligadas a parentes do policial. O ex-PM e miliciano Juracy Alves Prudêncio, o Jura, citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), de novembro de 2008, como chefe de um grupo paramilitar que agia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, também está na mira da PF. Ele foi condenado e preso sob acusação de homicídio e associação criminosa. Na casa de um dos alvos, em Niterói, a PF apreendeu armas, joias e dinheiro, além de carros de luxo. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.

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A 1ª etapa da operação Unha e Carne foi deflagrada em dezembro de 2025 e teve como alvo o então presidente da Alerj, o deputado Rodrigo Bacellar, hoje cassado e preso. Ainda em dezembro de 2025, a 2ª fase aprofundou as apurações sobre a origem dos vazamentos. Nessa etapa, a PF prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A 3ª fase foi deflagrada em 27 de março de 2026. Nessa etapa, Rodrigo Bacellar foi preso novamente (pois estava em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica), desta vez em casa, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. Na quinta fase, realizada na semana passada, foram cumpridos mandados de prisão contra Bacellar (já preso), o pastor Marcio Poncio e o bicheiro Adilsinho (também preso anteriormente). As investigações apontam que políticos do estado recebiam mesadas do contraventor. A partir das investigações, a PF já havia prendido o ex-deputado estadual TH Joias, suspeito de ligação com a facção Comando Vermelho (CV), e o deputado Thiago Rangel (Avante).

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Em nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral instaurou procedimento disciplinar para apurar os fatos envolvendo o delegado Marcus Amim. As defesas de Márcio Canella e Marcus Amim ainda não se manifestaram.

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