Quais são as acusações contra o MC Poze do Rodo, preso pela PF
Alvo de ação contra lavagem de dinheiro bilionária, funkeiro foi para a cadeia pela terceira vez nesta quarta (15)
A PF (Polícia Federal) prendeu, na manhã desta quarta (15), os MCs de funk Poze do Rodo e Ryan SP, durante uma operação contra um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. As ações da corporação na “Operação Narco Fluxo” acontecem em diversos estados do Brasil e envolveram cerca de 200 agentes. Poze foi preso em casa, num condomínio de alto padrão no Recreio dos Bandeirantes, e teve dois carros de luxo apreendidos, assim como valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos que subsidiarão o aprofundamento das investigações. Já MC Ryan estava numa festa em Bertioga, no litoral paulista. As autoridades cumpriram um total de 45 mandados judiciais para busca e apreensão e 39 de prisão temporária em endereços localizados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. Os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
De acordo com a Polícia Federal, os envolvidos usavam um sistema para ocultar e dissimular os valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de numerário em espécie e transações com criptoativos. O volume financeiro movimentado pelo grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão em menos de dois anos, segundo as investigações. Também foram determinadas medidas de bloqueio patrimonial, como o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias. O objetivo é interromper as atividades ilícitas e preservar ativos para eventual ressarcimento.
É a terceira vez que Poze do Rodo, que tem 16 milhões de seguidores em uma rede social, é preso. No ano passado, o MC foi preso pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Polícia Civil do Rio, por apologia ao crime e por envolvimento com o tráfico de drogas — na ocasião, o cantor também era investigado por lavar dinheiro do Comando Vermelho (CV). Segundo a DRE, Poze realizava shows exclusivamente em áreas dominadas pelo CV, com a presença ostensiva de traficantes armados com fuzis, a fim de garantir a “segurança” do artista e do evento. Ainda de acordo com a delegacia, o repertório das músicas de Poze “faz clara apologia ao tráfico de drogas e ao uso ilegal de armas de fogo” e “incita confrontos armados entre facções rivais, o que frequentemente resulta em vítimas inocentes”. A prisão foi em 29 de maio. Em 3 de junho, ele foi solto, após a Justiça conceder um habeas corpus.
Seis anos antes, em 28 de setembro de 2019, Poze foi preso em flagrante após um show em Sorriso, a 420 km de Cuiabá. A Polícia Militar mato-grossense disse ter recebido diversas denúncias sobre a festa em uma boate no bairro Setor Industrial onde ocorria um baile funk com a presença dele. Segundo a denúncia, havia diversos menores de idade que consumiam bebida alcoólica e drogas no local. O MC foi acusado de ser responsável por incitar crimes. Uma força-tarefa de policiais militares, civis e Conselho Tutelar foi até o evento, que acabou fechado pelas autoridades. Pelo menos 40 menores foram flagrados consumindo bebidas alcoólicas e usando maconha e cocaína e foram encaminhados ao Conselho Tutelar. Outros 3 homens foram presos, além de Poze, apontados como organizadores do evento.
No mês passado, o MC denunciou ter sido mantido refém durante um assalto dentro da própria casa. Em depoimento à polícia, o cantor relatou que foi surpreendido por quatro criminosos encapuzados e armados com fuzis e pistolas, por volta das 2h30, enquanto estava assistindo televisão com os amigos. Imagens de câmeras de segurança registraram a ação. Todos foram rendidos. Ainda segundo Poze, os criminosos roubaram joias avaliadas em cerca de R$ 2 milhões, além de celulares, relógios, roupas e perfumes. Ele chegou a pedir a Deus para que os criminosos que participaram da ação não parassem na “mão” dele. “De covardia nem Jesus escapou!! Só peço pra que Deus tome conta de tudo e que não deixe nenhum deles parar em minha mão”, escreveu.
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A defesa de Poze afirmou desconhecer os autos ou teor do mandado de prisão desta terça (15). “Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”, declarou o advogado Fernando Henrique Cardoso Neves.







