Como médico que dirigia carro blindado foi baleado em assalto
Foi a segunda abordagem de bandidos armados sofrida por ele em quatro meses; cirurgião vascular de 43 anos foi atingido no braço esquerdo
Quatro meses após um assalto a mão armada perto da Rodoviária Novo Rio, o cirurgião vascular Harold Benjamin Aranibar, de 43 anos, voltou a ser vítima de bandidos na última quarta (16). E desta vez acabou atingido por uma bala que atravessou seu braço e estraçalhou o úmero. Dirigindo o carro blindado que comprou após a primeira abordagem, achado que estaria mais seguro, ele voltava de um plantão no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, quando foi abordado por assaltantes em motos por volta das 18h, nas proximidades do Maracanã, na Zona Norte. O médico pensa em deixar a cidade com a mulher, a dermatologista Natália Aranibar, e as duas filhas do casal, de 5 e 7 anos.
“Fui mais uma vítima de assalto nessa selva aqui do Rio de Janeiro. Eu, com carro blindado, que já não é normal termos carro blindado, fui vítima de um golpe. Encostaram no meu retrovisor, e eu fui arrumar quando veio um cara por trás para me assaltar e terminou com um tiro no meu braço”, contou Aranibar em post publicado em suas redes sociais, onde também compartilhou uma foto publicada por Natália mostrando a marca da bala no banco do motorista. “Já estávamos ficando incomodados com a sensação de insegurança faz algum tempo. Mas depois de passar por essa situação, nós chegamos no nosso limite. Adoramos o Rio, mas infelizmente, não conseguimos mais nos sentir à vontade em viver aqui. Decidimos que vamos nos organizar para sair do estado”, acrescentou ela, em entrevista ao jornal O Globo.
No primeiro assalto, o médico perdeu carteira, aliança e telefone celular, levados por um motociclista armado. Desta vez, ele ia para casa em seu Jeep Compass blindado quando uma moto bateu no retrovisor do veículo, na Avenida Professor Manoel de Abreu. O motociclista parou no sinal e fez gestos de desculpas. Quando abaixou o vidro para arrumar a posição do espelho, a vítima foi surpreendida por uma outra moto, com dois homens fizeram a abordagemn e exigiram o telefone celular. Nervoso, Aranibar deixou o aparelho cair no chão do carro e se abaixou para pegá-lo, mas não o encontrou de primeira. Segundo ele, a demora irritou um dos assaltantes, que atirou. “Eu não estava conseguindo pegar com facilidade o telefone e o assaltante ficou nervoso. Quando eu estava subindo ele começou a falar: vou te matar, vou te matar. Vi o cano da arma e institivamente me joguei pro lado. Não esqueço o barulho da arma”, contou o cirurgião ao jornal. O disparo atingiu seu braço esquerdo e ficou encravada no banco do motorista. Os assaltantes fugiram sem levar o celular ou o carro.
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Mesmo ferido, o médico arrancou com o veículo e ligou para a mulher e o irmão, que é médico ortopedista, enquanto dirigia para o hospital, onde segue internado. “No caminho passaram muitas coisas pela minha cabeça. Pensei que precisava voltar bem para as minhas filhas, pensei na minha esposa, se eu ficaria com sequelas e se minha carreira havia chegado ao fim. Enquanto isso, o braço pendurado ficava mais pesado e a dor cada vez maior”, contou ao Globo. Aranibar já foi submetido a uma cirurgia para colocar pinos externos responsáveis por fazer a fixação do osso estraçalhado. Até o fim da semana fará um segundo procedimento, para a colocação de uma placa e parafusos. A Polícia Civil informou que a investigação segue em andamento, com agentes em busca de imagens de circuitos de segurança que ajudem na resolução do caso.






